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DIAS PARA O CARNAVAL!

amarildo de mello x9 paulistana

Amarildo de Mello, um empresário que virou Carnavalesco

Sócio de uma fábrica de perfumes, o artista largou a vida comum para se dedicar ao oficio nos barracões

12/09/2018 Redação Liga SP - Foto: amarildo de mello x9 paulistana

De Campos de Goytacazes para o mundo do Carnaval, de um bloco chamada Unidos do Anil para uma das escolas de samba mais respeitadas e tradicionais do Rio de Janeiro, a Beija-Flor. Assim podemos resumir o início da carreira de Amarildo de Mello, que em 2019 completa 30 anos de trabalho e amor ao maior espetáculo da terra.

Boi da Ilha e Dendê foram as escolas que deram as primeiras oportunidades, porém, desde muito jovem, o garoto humilde, filho de uma costureira e de um operário foi colocado a prova, e como já era de se esperar, os resultados foram acima da média. “Ainda criança, fã do Joãosinho Trinta, minha diversão era montar desfiles de escolas de samba no chão da casa do meu avô. Não tenho dúvida que essa sempre foi a resposta de ter chegando onde cheguei, minha perseverança é inabalável. Jamais reneguei as minhas raízes, a única coisa que me deslumbra é a minha própria história”, relembra com saudade.

Com 55 anos e consciente de sua responsabilidade, Amarildo sempre procurou soluções para os seus problemas, com o apoio dos pais e das irmãs, “Meu pai ainda é vivo, tem 90 anos, ele chora, se emociona, me incentiva e está presente em todas as minhas decisões, acredita que ele não perde uma apuração de Carnaval”, comenta emocionado.

Uma das histórias que mais provam a determinação do Carnavalesco é que em 1998, a Beija-Flor recebeu 65 enredos, o último tinha autoria de Amarildo, “Pará: O mundo místico dos Caruanas nas águas do Patu-Anu”. Além de desenvolver o projeto ao lado de grandes profissionais, Cid Carvalho, Anderson Muller, Fran Sérgio, Nélson Ricardo, Paulo Fuhro, Ubiratan Silva e Victor Santos, o artista conquista o seu primeiro título no grupo especial do Carnaval carioca. “Quando o telefone tocou e era o Anísio eu não acredite, foi um misto de sensações, uma dupla conquista. Além de trabalhar como Carnavalesco em uma das principais escolas do Brasil eu negociei todo o enredo com o governo do Pará, sozinho fechei o patrocínio e a escola foi campeã depois de 15 anos”, recorda.

Amarildo de Mello, ainda por alguns anos desenvolveu projetos no Rio de Janeiro, pela Portela e outras escolas do grupo de acesso, e só depois resolveu viver novas emoções e se aventura no Carnaval de São Paulo. Por aqui, trabalhou na Unidos do Peruche, Águia de Ouro e atualmente está na X9 Paulistana, escola que em 2019 apresentará o enredo “Meu lugar é cercado de luta e suor, esperança num mundo melhor! O show tem que continuar”. Já contando com o turbilhão de coisas positivas que esse desfile lhe trará, o artista não tem dúvidas em afirmar que 2019 ficará marcado em sua trajetória. “Esse Carnaval será mágico, o Arlindo comemora 40 anos de carreira, 60 anos de vida e eu celebro 30 anos de Carnaval”, se emociona.

Emotivo, Amarildo ainda revela que a quatro anos tenta realiza essa homenagem ao cantor e compositor Arlindo Cruz, mas como acredita que tudo tem a hora certa, tinha que ser nessa junção de datas. “A família tinha opção de escolher outra escola, mas optou pela X9 e nós queremos mostrar na avenida um olhar ainda pouco conhecido de Arlindo Cruz. Quase ninguém sabe, mas ele tem três faculdades, contabilidade, advocacia e administração de empresas, além de falar três idiomas. Eu considero Arlindo, o sociólogo do povo”.

Contado com a participação efetiva da família de Arlindo Cruz no desfile, o Carnavalesco não imagina entrar na passarela do samba sem a participação do seu homenageado. “Eu tenho muita esperança, por que a família me dá essa esperança. A esposa e os filhos acreditam que esse desfile pode ser uma parte da cura dele, afinal, cada dia ele prospera mais”, comemora.

Celebrando três décadas de Carnaval, Amarildo é enfático em dizer que sua maior alegria demorou, mais chegou, afinal, estar à frente de uma homenagem há um artista do porte do sambista que é Arlindo Cruz, é uma coroação a todos os anos de trabalho. “Conviver com a história desse homem, que assim como eu respira Carnaval, e ter o apoio da família, não tem alegria maior. A linguagem de Arlindo é tão bem estruturada, que em um mês eu finalizei os pilotos para 2019”.

Quando questionado sobre arrependimentos, a trocar de uma vida estável, a busca constante por seus sonhos, Amarildo é enfático “Eu não me arrependo nem por um minuto, eu nem me lembro que um dia eu fui sócio de uma fábrica de perfumes e que eu tinha uma vida sem pretensão, até pelo trabalho que exercia. Nem me recordo de ter dois carros na garagem e até motorista, sou grato a tudo que o Carnaval me deu”.

Finalizando o bate papo exclusivo com a Liga Independente das Escolas de Samba, o artista puxa pela memória todos os presentes que durante esses anos colecionou. “Eu tive a oportunidade de conviver com tanta gente, que não tem preço. Zeca Pagodinho, Seu Monarco, Tia Surica, Paulinho da Viola, Seu Carlão do Peruche e Nana Caymmi são só algumas pessoas que fazem parte dessa história, além claro, dos países que eu conheci por conta do samba, Japão, Suíça, enfim, sem palavras para definir”, finaliza.