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DIAS PARA O CARNAVAL!

Marcelo Messina/LigaSP

Caetano propõe enredo lúdico para resgatar "Camisa de antigamente"

Carnavalesco fala sobre dificuldades na Imperador do Ipiranga e adianta projeto para Carnaval 2019 na agremiação da Barra Funda

23/05/2018 Redação Liga SP - Foto: Marcelo Messina/LigaSP

O carnavalesco Eduardo Caetano pensou que sua carreira acabaria após o Carnaval 2018. Rebaixado para o Grupo de Acesso 2 com a Imperador do Ipiranga, o profissional admitiu que passou pela sua cabeça que nenhuma escola desejaria contratá-lo para 2019. Passados três meses, porém, ele está a todo vapor tocando o projeto do Camisa Verde e Branco - em nova oportunidade na segunda divisão do Carnaval de São Paulo.

"Escaldado" pela experiência da última disputa e com uma agremiação em alerta após o sétimo lugar no Acesso, Caetano já está com o projeto do ano que vem bem adiantado. Ex-componente e agora carnavalesco da tradicional escola da Barra Funda, ele fala em resgatar o "Camisa Verde e Branco de antigamente". Para isso, a aposta será em um enredo lúdico para tocar o imaginário das pessoas.

Em entrevista à Liga SP, Eduardo Caetano falou sobre as dificuldades que levaram a Imperador do Ipiranga à terceira divisão do Carnaval e a respeito do que planeja para 2019 com o Camisa:

Liga SP - Você fez o Carnaval 2018 pela Imperador do Ipiranga, que acabou sendo rebaixada no Grupo de Acesso. Como foi o trabalho lá?
Eduardo Caetano - Eu tive duas experiências inovadoras em minha carreira. Eu tenho 16 Carnavais assinados e nunca tinha sido rebaixado com nenhuma escola e também nunca tinha sido campeão com bloco. Em 2018, fui campeão com o Bloco do Piqueri, que é o que faltava no meu currículo para completar minha grade de ser campeão em todos os Grupos de escolas e blocos de São Paulo, mas tive a infeliz surpresa de ser rebaixado com a Imperador do Ipiranga. Desde o início a escola se mostrou com muitas dificuldades. Foi apresentado um projeto muito bacana por parte da diretoria da escola e eu acreditei e trabalhei em cima desse projeto. Mas, infelizmente, a escola estava com muitas dívidas, a comunidade já não acreditava mais na escola na formatação que estava. Houve até uma proposta de patrocínio, que nós acreditávamos que poderia vir alguma coisa, mas tudo culminou para o lado negativo. O presidente correu muito, quase sozinho, só com uma minoria da diretoria e da comunidade para tentar salvar a escola de uma tragédia, mas não houve jeito. Não houve fôlego para chegar até a reta final.

Liga SP - Deu para perceber no desfile que a escola teve algum problema com fantasias. Qual foi o maior problema?
Eduardo Caetano - Tivemos problemas financeiros para confecção de fantasia, de prazos e também de alegorias. Tanto é que para a última alegoria nós conseguimos a estrutura de ferragem na semana do Carnaval. Então era impossível ter um bom Carnaval ou trabalhar em cima do planejamento sem a estrutura devida para executar da forma que deveria ser feita.

Liga SP - A questão foi você entrar na escola com um projeto em mente e no meio do caminho ver que não seria possível desenvolver?
Eduardo Caetano - Eu nunca fui enganado pela escola, até porque o projeto era muito pé no chão. O presidente Eduardo De Luca foi muito parceiro e sincero a todo momento. Eu sabia de todas dificuldades da escola, mas também acreditei também que do patrocínio que havia sido prometido viesse pelo menos a metade para eu ter um subsídio para poder fazer alguma coisa na avenida. O que eu não esperava é que a comunidade não foi presente em nenhum momento. De repente, se você tem deficiência de um lado mas tem um resguardo, uma retaguarda de outro, você consegue dar uma balanceada aí. Mas quando não tem o financeiro nem a comunidade, fica difícil executar o projeto.

Liga SP - Todo mundo fala que o "chão" é fundamental para uma escola de samba.
Eduardo Caetano - É essencial para o Carnaval. Se nós tivéssemos uma comunidade unida para o que desse e viesse, com certeza o resultado seria outro.

Liga SP - Virando a página para o Carnaval 2019, como foi o contato com o Camisa Verde e Branco?
Eduardo Caetano - Foi muito engraçado porque eu pensei 'caí com uma escola, acabou minha carreira'. E eu tenho um histórico bom com o Grupo de Acesso, consegui fazer três agremiações subirem, mas tive essa infelicidade em 2018. Por outro lado, foi totalmente inversa a situação. Eu tive dois convites do Acesso e um para trabalhar em uma comissão de Carnaval no Especial. Quando veio o primeiro contato do Camisa Verde e Branco pelo diretor geral de Carnaval, eu fiquei super feliz porque era uma curiosidade e uma vontade de fazer um trabalho junto com essa comunidade. Eu já fui componente daqui durante muitos anos e retornar depois de exatamente 20 anos foi uma grata surpresa. E estou muito feliz! O projeto está andando e estou com bastante coisa adiantada para evitar acontecer o que aconteceu no ano passado. Tem o ditado que diz que gato escaldado tem medo de água fria e eu fiquei um pouco escaldado esse ano.

Liga SP - O Camisa tem uma comunidade muito forte, porém que bateu na trave contra o rabaixamento em 2018. Como você se sentiu o pessoal ao chegar aqui?
Eduardo Caetano - Quando a água bate na bunda você aprende a nadar. Eu entendo que a escola deu essa acordada. Se não aprendeu a nadar, correu para fazer aula de natação porque a coisa está saindo. É uma diretoria totalmente nova que optou por um projeto ousado e diferente, porque ela entende que se viesse na mesma pegada que estava vindo o caminho seria talvez o mesmo que teve a Imperador e não é essa a intenção. Grandes profissionais têm sido contratados, eu entre eles e fico muito feliz com isso, e estamos trabalhando já. Correndo muito.

Liga SP - O que já está sendo feito no barracão?
Eduardo Caetano - No Carnaval, hoje as escolas do Acesso derivam muito da reciclagem dos Carnavais passados. Com nós não é diferente. Também estamos trabalhando de dentro para fora. Estamos reorganizando e reestruturando a escola em seu conceito plástico pensando de que forma essa plástica vai ser levada para a avenida. Que conceito a escola quer levar para a comunidade voltar a acreditar que a escola está produzindo e o componente vai chegar e ter sua fantasia pronta e vai chegar avenida com uma alegoria pronta. Nós estamos fazendo um trabalho primeiro de reciclagem. A escola tem muito material que não foi utilizado nos últimos anos, tem muita ferragem que não foi para a avenida, então tudo que dá para se aproveitar nós estamos aproveitando. Estamos a mil por hora, fazendo mutirões em todos os finais de semana no barracão e, durante a semana, projetos de envolvimento em questão de trazer uma nova concepção de desfile para o Camisa Verde e Branco. A escola está convocando seus setores para fazer palestras e ensaios e está tentando achar onde foi o erro e o que a comunidade espera para ter um Camisa que era antigamente.

Liga SP - Com relação ao enredo, o que você pode adiantar?
Eduardo Caetano - Uma característica minha como profissional, e eu tenho tido muita sorte com relação a isso, é trabalhar enredos lúdicos. Acho que a plasticidade que se coloca na avenida, um mundo imaginário, é muito grande tanto para o espectador como para o avaliador. A concepção do enredo surgiu fácil e as coisas estão fluindo positivamente. Eu posso dizer que é um desfile de Carnaval que o Camisa não está acostumado a fazer e que todos nós como pessoa passamos em algum momento. Não tem como você não se agradar por um setor ou por uma ala ou por uma alegoria. Você vai lembrar de quando você era pequeno, de quando você é adulto e de repente quando você se tornar velho também vai se lembrar desse enredo. É um enredo, sem dúvida alguma, universal em todas as classes sociais e faixas etárias da vida da gente. Nosso lema é alegria, então o enredo se baseia na alegria e a concepção do samba tem que trazer isso.

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