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DIAS PARA O CARNAVAL!

Divulgação/Império de Casa Verde

Campello fala em "transformar Anhembi em grande tapete vermelho"

Agora na Império de Casa Verde, carnavalesco quer deixar para trás trauma vivido com incêndio na Tucuruvi em 2018

30/05/2018 Redação Liga SP - Foto: Divulgação/Império de Casa Verde
Virar a página. Esse é o lema de Flávio Campello para o Carnaval 2019. Após a traumática de ver um incêndio destruir 90% das fantasias da Acadêmicos do Tucuruvi, o profissional agora foca suas energias em desenvolver o próximo desfile da Império de Casa Verde.
 
Mais uma vez com um enredo autoral, "O Império Contra-Ataca", Campello irá passar por 50 dos maiores filmes da história do cinema. Com o objetivo de transformar o Anhembi em um grande tapete vermelho, o carnavalesco campeão do Grupo Especial em 2017 fez um balanço de 2018 e contou um pouco do que prepara para o ano que vem.
 
Liga SP - Você estava na Tucuruvi no Carnaval 2018. Apesar de não ter sido julgado por causa do incêndio, qual o saldo que você tira de sua passagem por lá?
Flávio Campello - Claro que a experiência não foi muito bacana pelo ocorrido faltando 40 dias para o desfile, mas a gente conseguiu encontrar forças através da união das pessoas da comunidade e da escola. Isso, com certeza, contribuiu bastante para a gente finalizar o trabalho da maneira que finalizou. A gente viu que a Tucuruvi conseguiu desenvolver um trabalho em 40 dias que dava para apresentar pelo menos a graça de um desfile de escola de samba para quem estava assistindo, principalmente em casa. O público que está em casa, principalmente em âmbito nacional, não está ciente do que aconteceu dentro do fatídito dia do incêndio no ateliê, então a gente queria tentar, já que não ia concorrer a nada nesse ano, apresentar um Carnaval de nível em respeito às pessoas que compraram seus ingressos e às que estavam em casa assistindo. Vir de um título no Carnaval 2017 e de repente em 2018 não conseguir disputar um bicampeonato profissional é muito triste, mas conseguimos apresentar um trabalho legal e graças a isso muitas portas se abriram. Inclusive o fato de eu estar aqui na Império acredito que tenha sido muito em torno do que apresentei nesses anos todos como profissional e eu acredito muito que 2018 seja um ano que vai ficar marcado para minha vida pela experiência, pela dor do que aconteceu. Mas passou, bola para frente e 2019 está aí.
 
Liga SP - Pelo trabalho que vocês conseguiram apresentar, ficou aquele pensamento de que se a Tucuruvi estivesse na disputa poderia chegar longe?
Flávio Campello - Muitas pessoas, principalmente ali nos bastidores pós-desfile, falaram que não acreditavam que a gente realmente tinha perdido todas as fantasias. Mas foi um trabalho muito árduo. A gente conseguiu não reconstruir o que foi idealizado durante os dez meses de trabalho, mas tentamos ali naquele momento ter um elemento a mais para as pessoas curtirem nosso desfile e entender a proposta do nosso Carnaval.
 
 
Liga SP - Avaliando o resultado, o Carnaval 2018 teve quatro escolas com a pontuação máxima. Como carnavalesco profissional, você acha que foi adequado?
Flávio Campello - Não pelo fato de eu estar aqui hoje, mas quando terminou o desfile da Império, ao meu ver, o campeonato estava entre Mocidade Alegre e Império de Casa Verde. O fato de terem tido quatro escolas de samba empatadas com a mesma quantidade de pontos foi algo que foi inédito. Eu acredito que talvez para o Carnaval possa não ter sido tão competitivo porque a gente está acostumado com outro tipo de resultado. Às vezes a primeira e a segunda colocadas disputando acirrado ali um décimo, ou então até um quesito de desempate como aconteceu em 2017 entre duas escolas. Não uma disputa do primeiro ao quarto. Foi uma surpresa e acredito que em 2019 vá ser diferente. Acho que, devido ao que aconteceu, os presidentes devem estar trabalhando para que possa mudar algum critério para que possa o Carnaval ser mais competitivo.
 
Liga SP - Virando a página, como foi o contato com a Império de Casa Verde?
Flávio Campello - O namoro rolava já há alguns anos e agora acabou se concretizando. Eu já queria ter vindo para cá alguns anos atrás. Estar hoje na Império de Casa Verde talvez seja o desejo de praticamente todos os carnavalescos porque a escola tem um gigantismo na alma. Nós carnavalescos sempre queremos apresentar um trabalho no nível que geralmente a Império apresenta. Para mim é uma honra imensa em fazer parte dessa família, mais ainda quando você é recebido dentro da quadra da agremiação da maneira como eu fui recebido. Fui anunciado na festa de aniversário e foi algo que, para mim, foi uma surpresa. Você subir e ouvir seu nome na boca da comunidade, foi muito gratificante. O maior presente que eu tive até depois do que aconteceu no Carnaval passado, da perda das fantasias e tal, você se deparar com uma emoção dessas numa casa nova que está chegando. É algo que ficou imortalizado. Para mim, aquele dia eu pisei no palco com a certeza que teria que fazer o meu melhor para presentear e retribuir o carinho com o qual fui recebido aqui na escola.
 
 
Liga SP - Você recebeu outras propostas?
Flávio Campello - Recebi mais três propostas e antes de conversar com essas três outras escolas de samba eu já tinha fechado com a Império.
 
Liga SP - Falando agora sobre o enredo "O Império Contra-Ataca". Foi uma ideia sua?
Flávio Campello - É um dos enredos que eu também sempre tive vontade de fazer.
 
Liga SP - Você gosta muito de filmes.
Flávio Campello - Adoro! Filmes, museus... Adoro isso! Tanto que a inspiração para o enredo do museu foi uma trilogia de Hollywood. Sempre gostei muito, sou um cinéfilo total. E, quando a gente sentou para conversar sobre a proposta do Carnaval 2019, eu apresentei vários enredos e o do cinema era um deles. No dia que apresentei eu senti algo diferente, as pessoas começaram a se empolgar com a maneira que eu estava conduzindo a história. Todo mundo acabou se envolvendo porque tudo o que a gente vai levar para a avenida está na memória das pessoas. Todo mundo vai se identificar com os filmes que a gente vai levar para a avenida. Não queríamos, de maneira alguma, apresentar um enredo com início meio e fim. A gente criou uma linha para o Carnaval 2019 onde se inspirou nas listas dos 100 melhores filmes, inclusive dos premiados pelo Oscar. A inspiração para a construção desse enredo foi em torno desses clássicos. Nós apresentaremos na avenida aproximadamente 50 títulos nas alas e alegorias. Teremos alegorias representando cinco filmes. Principalmente na parte que a gente fala, dentro do nosso enredo, do ode ao amor em uma coisa ligada às trilhas sonoras que marcaram nossas vidas. Então a gente está brincando na hora de montar esse Carnaval, inclusive com a fidelização desses figurinos. A gente quer levar para a avenida o que o filme apresentou nas telas do cinema e transformar o Anhembi num grande tapete vermelho.
 
Liga SP - Você disse que não será um enredo linear, mas o ponto de partida será a primeira exibição dos irmãos Lumiere.
Flávio Campello - Sim. Eu precisava de um  ponto de partida para começar a história e decidi apostar no sonho dos irmãos Lumiere, que sempre desejaram transformar a fotografia em movimento. Uma das citações deles, que eu vi na pesquisa para o enredo, falava isso. E eles conseguiram criar um equipamento que desse vida às fotografias. Só não sabiam da dimensão que isso alcançaria. E hoje a tem a sala de cinema, que é uma das grandes paixões do brasileiro. O Brasil é o segundo país do mundo que mais assiste filme, só perde para os Estados Unidos. Isso, para a gente, é maravilhoso. O brasileiro também tem essa cultura, esse costume. Então, levar isso para a avenida é um presente para nossa comunidade, para mim, para você e para todo mundo. Porque quem não gostaria de ver alguns clássicos do cinema ganhando formas de samba na avenida? É algo que a gente vai tentar inovar. Estamos criando muitas alas coreografadas com o propósito de dar vida a esses clássicos do cinema.

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