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DIAS PARA O CARNAVAL!

Gleuson Pinheiro Carnavalesco Camisa 12

Carnavalesco e Arquiteto, a dupla jornada de Gleuson Pinheiro

Jovem, cheio de criatividade e muita energia para difundir duas profissões em uma só

19/09/2018 Redação Liga SP - Foto: Gleuson Pinheiro Carnavalesco Camisa 12

Desenvolver o enredo de uma escola de samba e em paralelo ter sua carteira assinada em uma empresa, e algo que pode parecer impossível no Carnaval, será? Descobrimos que para o Carnavalesco da escola de samba Camisa 12, Gleuson Pinheiro, essa rotina já ganhou forma há alguns anos.

Sem influencias familiares, ainda adolescente o artista decidiu procurar a Unidos de São Miguel, e desde 1999 ele vem desenvolvendo projetos e se dedicando ao maior espetáculo da terra, o Carnaval, em paralelo, primeiro com a vida de estudante e depois como arquiteto.

Formado em Arquitetura e Urbanismo pela USP, Gleuson, a sete anos também executa funções de responsabilidade na MMBB Arquitetos e concilia sim, essa dupla jornada. “Eu sempre procurei trabalhar em lugares que as pessoas gostem de Carnaval e entendam essa minha paixão. Nesse período pré-carnaval eu negócio meus horários e na reta final eu me instalo aqui no barracão, e a dedicação acaba sendo de 24 horas. Em janeiro tiro férias da empresa, depois licença não remunerada, emendo tudo com as festas de fim de ano, são dois meses de pura adrenalina”, comenta apaixonado.

Dono de uma personalidade que a cada dia o fortalecem mais, o arquiteto acredita que ambas as profissões caminham lado a lado, são verdadeiros complementos. “Eu consigo usar muito do que aprendi na sala de aula aqui no barracão. Eu gosto de pensar por exemplo, em um projeto de alegoria, penso na estrutura, na makete, tem muito da minha profissão aqui”, conclui.

Hoje, além de todas os compromissos já assumidas, o Carnavalesco ainda encontra tempo para um mestrado na própria Universidade de São Paulo. “Eu me interessei muito pelos territórios negros da periferia da cidade de São Paulo e esse está sendo o meu trabalho de conclusão de curso. Minha pesquisa é baseada em uma escola de samba, a Príncipe Negro, que hoje está na UESP, a agremiação com mais de 50 anos foi fundada na Vila Prudente e migrou para Cidade Tiradentes”.

Muito atento também ao Carnaval carioca desde criança, o artista tem como base em sua formação, Joãosinho Trinta, Renato Lage e Rosa Magalhães. A admiração em São Paulo se estende aos profissionais mais jovens, André Machado e André Rodrigues, são alguns nomes lembrados. “Quando criança eu assistia esses mestres cariocas pela TV, e admirava a forma como eles traziam temas tão atuais e necessários para os desfiles. Hoje, os mais jovens, que também são cariocas são colegas de profissão”, recorda.

Cuidando sozinho da concepção dos enredos que já criou durante sua carreira, esse será o seu quarto Carnaval no Anhembi. Defendendo as cores da Camisa 12, o Carnavalesco já tem o desenho do desfile pronto no papel e já produz os pilotos. “A gente sempre parte de uma ideia, por exemplo esse ano eu já estou desenhando os pilotos, vou materializar tudo e só depois escrever. Serão 14 alas e três carros”, detalha.

Intitulado “Professores, Camisa 12 orgulhosamente desfila essa homenagem a vocês, mestres na arte de ensinar!”, o enredo de 2019, segundo o artista contará com dois momentos muito especiais. “O objetivo desde o início é fazer uma homenagem aos professores, mas não só isso. A ideia central do nosso enredo é também mostrar os problemas que a classe enfrenta diariamente. Vamos focar nos salários, nas condições de trabalho, a relação com a tecnologia e a importância dos professores para todas as outras profissões”, descreve.

Almejando um resultado positivo no grupo de acesso 2, Gleuson não pretende ser reconhecido pelo que fala do seu trabalho, mais sim, pelo que as pessoas irão ver na passarela do samba. “Eu quero ser reconhecido pelo meu trabalho, nunca vou me autopromover. Cheguei aqui no Camisa 12 sem queimar etapas, sem me acomodar, e quero seguir exercendo de forma séria as minhas responsabilidades”.

Finalizando esse bate papo exclusivo com a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, o coração de Gleuson ainda se mostra dividido entre o Carnaval e a Arquitetura. Questionado se abriria mão da vida com carteira assinada para viver os 365 dias do ano em um barracão, ou vice-versa, ele tentar sair pela tangente. “Eu acho importante você fazer outras coisas que não estejam ligadas umas com as outras, a experiência de lá coloco aqui e vice-versa”, em meio a uma gargalhada!