2 5 3

DIAS PARA O CARNAVAL!

Colorado do Brás

Com missão de abrir Carnaval 2019, Colorado prepara "ópera na avenida"

Carnavalesco Leonardo Catta Preta falou sobre missão da escola de ser a primeira desfilar em retorno ao Grupo Especial após 25 anos

19/05/2018 Redação Liga SP - Foto: Colorado do Brás

A Colorado do Brás prepara uma grande ópera na avenida para sua volta ao Grupo Especial do Carnaval 2019. Com o desafio de abrir a sexta-feira de desfiles do ano que vem, o carnavalesco Leonardo Catta Preta assumiu a responsabilidade de fazer um grande espetáculo para, no mínimo, garantir a permanência na elite da competição.

Em entrevista à Liga SP, o profissional analisou o resultado do Carnaval 2018, que levou a escola de volta à primeira divisão após 25 anos, falou sobre o "Hakuna Matata - Isso é Viver", rechaçando que seja mais um enredo afro simplesmente, e contou o que a agremiação vem fazendo para sair na frente das demais:

Liga SP - A Colorado, que tinha batido na trave em 2017, veio e garantiu uma das vagas no Grupo Especial de 2019. Como vocês encararam o resultado?
Leonardo Catta Preta - O enredo Axé é um enredo meu que estava engavetado. Como a escola pretendia fazer um enredo afro, eu tirei esse projeto que estava guardado e trouxe para a avenida. Em relação ao resultado, nós perdemos o título por causa de erros nossos e se não fosse a queda de um adereço da roupa na comissão de frente a gente teria ganhado o Carnaval, porque foi diferença de um décimo. São coisas para a gente aprender. A gente amadurece com os nossos erros. E a Colorado, junto comigo nesses dois anos, vem crescendo, evoluindo. Em 2017 foi um grande enredo, Roliúde do Sertão, e para 2018 a gente veio com essa gana realmente de ganhar o Carnaval. E o resultado, a gente queria voltar à elite do Carnaval e foi o que aconteceu. Eu acho que foi válido, agora é consertar alguns erros que ocorreram em 2018 para fazer um bom trabalho em 2019.

Liga SP - E agora o tamanho do desafio é muito maior.
Catta Preta - A Colorado está subindo depois de 25 e eu, depois de três anos fora do Especial. Meu último Carnaval foi na Império de Casa Verde em 2015, então estou voltando ao Especial. Acho que estou preparado para esse desafio. Falei ao presidente Ká que do Acesso eu não vejo muita diferença para o Especial porque o regulamento é praticamente o mesmo, só muda questão de ala, componente. A escola vai ter que se adaptar, mas está preparada. É uma escola que tem muitas pessoas empenhadas no desafio. E, para mim, o que eu falo profissionalmente, voltar para o Especial também me dá essa gana. É um desafio tanto para a escola quanto para mim. Pessoal e profissional ao mesmo tempo.

Liga SP - Você já passou pelo Especial, mas diria que essa chegada com a Colorado seja agora o maior desafio da sua carreira até aqui?
Catta Pretta - Eu sempre uso como referência a Império porque é uma grande escola de São Paulo. A Império me dava tudo, os melhores profissionais, então agora eu precisava desse momento. Eu acho que esse casamento com a Colorado foi legal porque nada melhor do que a maturidade. Eu passei desafios, reinventei meu trabalho, acho que tem outras técnicas que a gente pode usar. A gente tem que trabalhar junto, é um novo desafio. E não é fácil, porque em São Paulo as 14 escolas entram para ganhar o título. Mas começamos bem cedo, o enredo já foi escolhido, as fantasias praticamente já estão todas desenhadas e em fase de produção. E eu acho que agora a Colorado precisa sair na frente. Até mesmo porque a gente abre o Carnaval, tem esse outro desafio. Já adiantando a questão do enredo, esse não era meu enredo. Eu tinha outro enredo e quando me foi apresentado esse na hora eu gostei. Porque como eu preciso abrir o Carnaval, eu vejo a responsabilidade de fazer um grande espetáculo. "Hakuna Matata" me possibilita fazer uma coisa totalmente diferente para uma abertura.

Liga SP - Todo mundo fala que o maior desafio de uma escola que sobe é ser a primeira na sexta-feira do Grupo Especial.
Catta Preta - É. Eu estava com essas dúvidas porque nunca abri. Já encerrei pela Império de Casa Verde no ano da Cura e também era um desafio fechar o Carnaval. Conversando com amigos, falaram que abrir, às vezes, não era tão ruim, porque depois da oitava escola tudo é muito repetitivo. Abrir, não. É o seu momento de poder apresentar aquilo único. Tudo que você apresentar vai ser novo. Eu estou me prendendo nesse desafio. Então eu quero fazer um trabalho totalmente diferente para ser único. A Colorado vai fazer um trabalho pra ficar marcado.

Liga SP - Vocês estão botando na cabeça que o objetivo é não cair ou que dá para chegar e já brigar lá em cima?
Catta Preta - Isso é meio dividido. Eu acho que a escola tem que ter o pé no chão. A parte administrativa não é fácil, a escola ainda está construindo uma estrutura novamente, ainda não tem quadra, a comunidade ainda é menor que as outras do Especial. Então a escola, a parte administrativa, eu acho que realmente pensa em apresentar um trabalho para permanecer. O Leonardo, carnavalesco profissional, não. Eu quero brigar. Eu não entro apenas para mostrar um trabalho. Eu vou brigar e o Acesso já me deu possibilidade disso e acho que estou preparado para isso. Acho que não é dinheiro que faz Carnaval, a criatividade conta muito e com esse enredo afro, como é criativo, lúdico e eu tenho essa parte infantil, vou poder explorar mesmo sem ter muito recurso. O meu trabalho vai ser para brigar, não só para permanecer.

Liga SP - Terminou o Carnaval 2018 e eu lembro que no Desfile das Campeãs o presidente Ká já tinha falado que iria continuar com você. Como foi essa negociação?
Catta Preta - Esse será o terceiro Carnaval na Colorado e acho que o trabalho está sendo produtivo. Quando está legal a gente não precisa mexer. Recebi convites de outras escolas, até o presidente Ká ficou sabendo disso, só que o enredo não me agradava e eu acho que ainda nao era meu momento. Nessa conversa com o Ká eu preferi estar nesse momento aqui. Porque, na verdade, são escadas. A Colorado subiu um degrau e vai conseguir um outro, que é permanecer, pois essa é a ideia da escola. E eu quero estar nesse momento da Colorado. Então a gente foi conversando, a gente se dá muito bem, o presidente é uma pessoa jovem que gosta de Carnaval e nossos pensamentos se cruzam. Mais uma vez eu quis permanecer na Colorado.

Liga SP - O presidente já veio com a ideia de te fazer esse convite?
Catta Preta - A gente se falava desde o Carnaval 2018. Quando já estava na reta final eu já tinha uma proposta de enredo para 2019. Então a gente já conversava sobre a minha permanência na escola.

Liga SP - Então fala um pouquinho sobre essa história. Você tinha um enredo na cabeça, mas a Colorado acabou escolhendo outro, "Hakuna Matata".
Catta Preta - Eu tenho um parceiro que me trouxe para a Colorado. Eu estava na X-9 Paulistana fazendo fazendo uma assistência para o André Machado (carnavalesco, hoje na Rosas de Ouro) e eu recebi o convite do Thiago Morganti, que escreve samba e é um grande parceiro meu. Ele falou: 'Leo, tem uma proposta de enredo para a Colorado que é fazer Roliúde do Sertão'. E eu gostei do projeto e vim para a Colorado através do Thiago. A gente sempre trabalha em parceria, ele é um cara que tem visão de Carnaval, além de ser jovem também. E para esse ano, 2019, ele veio com esse projeto. Na hora que eu vi deixei o meu de lado e percebi que o dele, para o momento que eu precisava, era o ideal. A escola toda voltou para esse enredo.

Liga SP - Como vocês planejam colocar Hakuna Matata na avenida?
Catta Preta - Eu falo que um enredo, para qualquer carnavalesco, chega bruto. É como se fosse um diamante e a gente tem que lapidar. O enredo é do Thiago, mas comecei a lapidar como eu queria. Para mim, vai ser um enredo infantil. Tiveram pessoas que me perguntaram: 'Leo, mais um afro? Será que isso não vai ser uma réplica de 2018?'. E eu falei que não. A África é muito grande, é um berço de cultura, então eu parti para outro princípio. Eu realmente tenho essa ideia do filme O Rei Leão e fiz um enredo totalmente voltado para a questão lúdica. É uma questão infantil, colorida, porque eu acho que é disso que eu preciso para abrir o Carnaval de São Paulo. Uma coisa que chame a atenção. É uma África totalmente diferente e não tem aquela coisa pesada que eu tive com aquela questão da religião afro de 2018, então pode esperar da Colorado um Carnaval totalmente diferente. Estampas exclusivas que a gente pesquisou tanto no filme quanto no musical. Além dessa questão de ser infantil, tem essa questão de colocar a cultura africana em cima. São as estampas, toda essa parte de cenário. E eu faço uma grande homenagem à música, pois Hakuna Matata não deixa de ser uma música do Quênia. Todos os segmentos da minha escola têm essa pegada da música africana. Vai ser uma grande ópera na avenida, vamos dizer assim.

Liga SP - Com o ponto de partida sendo O Rei Leão?
Catta Preta - Não. Eu falei O Rei Leão na questão da geografia, desenho, pintura, paleta de cores. Do filme, o que eu tiro é Timão e Pumba, que são quem cantam a música no filme, e O Rei Leão entra como um símbolo da África. Porque não tem como você falar da África e não ter um leão. Isso só no último setor. Eu não queria que ficasse associado em nenhum momento o enredo ao filme. Lógico que a gente tem uma ideia das cores, o pôr do Sol em vermelho, uma referência para a gente montar o nosso projeto, mas é um Carnaval totalmente voltado para a Colorado.

Liga SP - O grande diferencial, a grande sacada de vocês parece ser sair mais cedo.
Catta Preta - O tempo conta muito. Eu sei que às vezes pode dar correria, tem pessoas falando 'ah, mas o Carnaval é em março, vocês têm um mês a mais', mas no final a gente está esgotado, tanto mental quanto fisicamente. Então quem sai na frente ganha um pouco lá na reta final. Quanto mais adiantar melhor. A escola também pensa dessa forma e como agora a gente está voltando, entrando nesse Especial, é tudo maior, é outra dinâmica. Por isso a gente está se adiantando.

Matérias Recomendadas