Marcelo Messina - Ednei Pedro Mariano

Ednei Pedro Mariano um amor ao Carnaval que vem de berço

Consagrado como coreografo de casais de mestre-sala e porta-bandeira, o também carnavalesco, brinda suas quase seis décadas de Carnaval

14/02/2019 Redação Liga SP - Foto: Marcelo Messina - Ednei Pedro Mariano

Pesquisador, escritor, dançarino, carnavalesco e professor, assim podemos definir Ednei Pedro Mariano, um nome consagrado e que integra a história do Carnaval de São Paulo desde os seus primeiros anos de vida.

Sobrinho de um dos sambistas mais importantes de São Paulo, Sebastião Eduardo do Amaral, ou simplesmente, Pé Rachado, o atual Carnavalesco da Amizade Zona Leste, Ednei Pedro Mariano, percebeu sua identificação com o Carnaval muito cedo, logo aos seis anos. “Meu tio, na época era presidente da escola de samba Vai-Vai e eu ficava andando com ele e com as namoradas. Fui desfilar mesmo com 12 anos, a Vai-Vai nem era escola de samba era cordão, imagine, eu me tornei o primeiro passista da escola e montei até uma ala”, recorda

Com a saída de Pé Rachado da Vai-Vai, e sua família como moradora do bairro da Vila Mariana, em 1974, Ednei e seus primos e amigos decidem fundar ao lado do tio uma nova agremiação, foi aí que nasceu a Barroca Zona Sul. “Toda a molecada migrou para essa nova escola que estava surgindo e o mais interessante foi que na ocasião meu tio brincou. “Já tem muita escola de samba aqui, nossa agremiação será a Faculdade do Samba”, nome batizado com carinho e usado até hoje”, complementa.

Junto com a fundação da nova entidade veio também uma nova função, Ednei deixaria de ser passista para se tornar mestre-sala. “Eu tinha 17 anos, e não sabia nada sobre essa nova atribuição que me foi delegada, sendo assim, comecei a ter aulas com o primeiro casal da Mangueira, no Rio de Janeiro. Me lembro que pegávamos o trem na Central do Brasil, saída de casa às 20h e voltava só às 8 da manhã do dia seguinte, tínhamos aulas intensas, sempre regadas a muita feijoada na quadra da Mangueira”, relembra.

Juntando sua experiência na Vai-Vai, Barroca Zona Sul e outras agremiações da capital, Ednei contabilizou 34 anos dedicados ao oficio de mestre-sala. “Eu dancei na Acadêmicos do Tucuruvi, na época no Grupo 1, em paralelo com a Vai-Vai. Em 1995, eu fui para a Rosas de Ouro, na sequência passei pela Unidos do São Lucas. Na Vai-Vai eu contabilizo duas passagens, na segunda eu voltei como mestre-sala de honra da agremiação”, afirma.

Com o falecimento de Gilsa, sua parceira de tantos Carnavais, Ednei decide parar de dançar, mas não abandona o oficio, afinal em anos anteriores ele já havia iniciado um trabalho de treinamento de casais e isso se tornou o carro chefe em sua vida. “Em 1998, eu iniciei esse processo com professor e ele foi se intensificando, hoje para você ter uma ideia auxilio oito primeiros casais (Gaviões da Fiel e X9 Paulistana do Grupo Especial, Independente Tricolor e Barroca Zona Sul, do Grupo de Acesso 1, e Dom Bosco, Torcida Jovem, Imperador do Ipiranga e Amizade Zona Leste, pelo Grupo de Acesso 2) e em paralelo desenvolvo o enredo da escola”, comemora.

Quando questionado sobre o seu trabalho como Carnavalesco, Ednei ressalta ser uma outra paixão. “Eu comecei em 1980 com o enredo “Uma Hora na Amazônia”, pela Barroca Zona Sul, foi uma parceria com a Maria de Lourdes Amaral. Eu sempre fui muito interessado, pesquisei e escrevi sobre o assunto Carnaval, mas nunca imaginei que desenvolveria projetos, e foi ali que surgiu a oportunidade. Confesso que nunca fiz curso nenhum, mas acabei me envolvendo e gostando”, reitera.

Dentre todos os trabalhos desenvolvidos por Ednei dentro do Carnaval, por mais de 20 anos ele desempenhou não apenas uma dupla jornada, talvez uma tripla. “Eu sou técnico em radiologia e sempre trabalhei em paralelo a tudo isso no Hospital do Servidor Público. Minha função sempre teve uma jornada de quatro horas, por isso, sempre consegui compartilhar”, comenta.

Desenvolvendo o enredo “Abayomi. Encontro precioso”, o Carnavalesco, pretende abordar a história de uma boneca negra que veio para o Brasil na época da abolição. “Abayomi é o fio condutor do nosso enredo. Vamos contar a história de um senhor poderoso que cria um continente africado e desse continente nasce a boneca negra. No final do nosso desfile teremos o Carnaval carioca como foco, inclusive entre as minhas pesquisas descobri que tem uma casa no Rio de Janeiro que emprega mulheres da periferia que confeccionam essas bonecas para ajudar no sustento de suas famílias, o projeto é tão interessante que as bonecas são vendidas até para o exterior”, descreve.

Ciente das dificuldades que a Amizade Zona Leste enfrente Ednei afirma que o Carnaval que vem preparando junto com a diretoria da escola é para permanecer entre as cinco do Grupo de Acesso 2. “Sabemos de todos os obstáculos, seja de verba ou internamente na própria escola. Sem contar que dentro do próprio grupo existem as favoritas, é o que avalio de forma técnica. Nos que ficamos em décimo lugar em 2018, precisamos fazer antes de qualquer coisa um trabalho de recuperação. Trabalho demais com a realidade e hoje é assim que eu vejo a situação da Amizade Zona Leste, apesar de estar ciente que o nosso trabalho está muito bonito”, explica.

Hoje com 65 anos de vida, e quase 60 dedicados ao Carnaval, Ednei é franco quando declara não ter nenhum arrependimento. “Hoje o Carnaval é diferente, lembro que quando comecei na quarta-feira de cinzas a gente chorava de tristeza, hoje nem tanto, juro que sinto até um alivio quando colocamos um ponto final. A competição é muita acirrada, ainda mais eu com os casais de mestre-sala e porta-bandeira, por um decimo posso descer uma escola”, conclui.