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Eduardo Caetano a paixão pelo Carnaval e a sala de aula

Atual Carnavalesco da Camisa Verde e Branco se divide em duas atividades, dentro do barracão entregar um Carnaval e fora dele formar profissionais

25/02/2019 Redação Liga SP - Foto: Divulgação Liga SP

Uma paixão que começa cedo ou será que uma paixão que nasceu dentro do ventre? Uma dúvida que nem mesmo o artista Eduardo Caetano consegue responder, afinal, muitas pessoas de sua família vivenciam o mesmo amor pelo mundo do samba, detalhe, muito antes dele chegar.

Geminiano e seguindo pelo mesmo caminho, desde os seus primeiros anos de vida, o jovem menino da zona norte de São Paulo sentiu a mesma necessidade e com dez anos criou junto com alguns amigos uma escola de samba destinada só ao público infantil, a “Cachoeira Mirim”, a ideia era homenagear o bairro que morava, Jardim Cachoeira, na Freguesia do Ó, e colocar crianças até 15 para desfilar. “Contava com ajuda de todos os pais e amigos do bairro, e esse foi o meu primeiro contato com o Carnaval. Para vocês entenderem as coisas só dava certo porque eu era um pouco de tudo, Carnavalesco, diretor, harmonia, o que foi ótimo, porque isso acabou abastecendo a ala infantil de muitas escolas”, relembra.

Mas o primeiro Carnaval assinado de Eduardo só chegou em 2000, pela Colorado do Brás, ele foi campeão da 1-UESP com o enredo “Amazonas Guerreiras no Mito, Guerreiras na Vida”, e aí aquele bichinho, graças a Deus, já o havia mordido. “Antes de assinar o meu primeiro Carnaval, eu fui assistente do Tito Arantes aqui no próprio Camisa, depois fui para Vila Maria, mesmo desenvolvendo muito de ambos os projetos eu não assinei. Em 2002 e 2003, eu fiz Tom Maior, 2004 migrei para a Mancha Verde e fui campeão com o enredo “Saga Italiana em Terra Paulistana”, e em 2005, fiz o meu primeiro Carnaval no Grupo Especial”, recorda.

Em 2006, Eduardo Caetano, segue para Acadêmicos do Tucuruvi, na sequência retorna para a Mancha Verde e posteriormente para a Tom Maior, Dragões da Real, Nenê de Vila Matilde, Unidos do Peruche e Vai-Vai, essa última onde conquistou o seu primeiro título no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo. “Fui campeão com a Vai-Vai em 2015, o enredo era incrível “Simplesmente Elis. A Fábula de uma Voz na Transversal do Tempo” e eu trabalhei com dois grandes amigos André Marins e Alexandre Louzada, foi uma experiência ímpar, por todo contexto. Depois auxiliei a Nenê de Vila Matilde a finalizar o enredo em homenagem a Claudia Raia, e hoje estou aqui no Camisa”, argumenta.

Entre o projeto da Nenê de Vila Matilde e a sua chegada a escola de samba Camisa Verde e Branco, teve um intervalo, tempo esse que Edu ficou em Dubai, fazendo projetos relacionados a Carnaval fora de época. “Essa foi a minha segunda experiência, anteriormente eu já havia trabalhado na França, em Bordeaux. Esse ano por exemplo, passando o Carnaval eu vou para Suíça, será mais uma troca de experiência maravilhosa”, declara.

Artista plástico por formação e lecionando desde sempre em paralelo com seus trabalhos nos barracões, Eduardo Caetano acredita sem fundamental conciliar as duas funções. “Hoje eu dou aula em dois colégios, um no Horto Florestal e outro na Freguesia do Ó, ao todo já são 24 anos dentro de uma sala de aula, e sinceramente, eu não abro mão, afinal, eu não conseguiria hoje viver só de Carnaval, a festa é uma paixão, um amor, algo que não consigo descrever, mas por muitas vezes já pensem em desistir, tanto que já fui e voltei duas vezes”, comenta.

Classificando o Carnaval hoje como duas vertentes que caminham por estradas paralelas e que nem sempre se juntam, Edu não hesita em dizer, que já passou por poucas e boas histórias dentro do seguimento. “O Carnaval nos traz muitas decepções, sejam elas financeiras ou com as próprias pessoas mesmo. Antes de chegar no Camisa esse ano, em 2018, eu passei pela Imperador do Ipiranga e amarguei meu primeiro descenso, confesso, pela primeira vez eu achei que a escola não chegaria na avenida, foi o maior stress da minha carreira, se não da minha vida, nem gosto de lembrar. Mas pelo Camisa ser a escola de toda minha família e minha escola do coração eu resolvi voltar”, desabafa.

Além de todas as atividades que Edu já nos relatou, ele nos declarou mais uma estudante de pedagogia. “O ser humano deve estar em constante aprendizado, por isso, eu hoje além de tudo que já contei, ainda tenho mais essa revelação, faço faculdade de pedagogia na Universidade de Santo André, é sério, preciso melhorar o meu salário como professor”, em meio a uma gargalhada.

E quem pensa que o Edu para por aí, engana-se ele também ministra o curso dos jurados pela UESP. “Imagine que além de atuar efetivamente, eu assumi o compromisso de adotar anualmente uma escola a UESP para ser o Carnavalesco deles, e faço isso de forma voluntária, apenas com a intenção de ajudar”, conclui.

Extremamente grato e com muita identificação, Edu nos confidenciou sobre sua admiração por alguns profissionais do Carnaval. “Como sou bairrista vou falar de amigos, primeiro Wagner Santos, sou apaixonado pelo trabalho dele. E tenho muita admiração pelo Augusto de Oliveira. Apesar de ter como pai da profissão o Tito Arantes que sempre teve muita paciência comigo, não posso esquecer dos queridos Lucas Pinto e Jorge Freitas”, confessa.

Falando sobre o enredo 2019, Edu, brinca que ele nasceu da sua cabeça. “Através de um amigo eu comecei a ver alguns musicais, e percebi que todos eles traziam uma mensagem para as crianças, de amor, solidariedade, paz, alegria, felicidade, amizade, enfim, algo que podemos fazer pelo próximo. Resolvi juntar o afro com o lúdico, e vamos retratar um conto infantil através da visão de uma criança negra. Totalmente lúdico “Orin, Orin - Uma viagem sem fim... Quando os tambores ecoam na floresta, a Barra Funda está em festa”, terá príncipe negro, rainha negra, cinderelas negra, enfim, por ela ser negra o mundo imaginário dela é todo negro. Vamos fazer um universo bem colorido e emocionante transportando os 20 musicais que foram mais vistos e sucesso de bilheteria. A intensão é mexer com a imaginação de todos, e claro, ver a identificação, principalmente dos adultos”, enfatiza.

Finalizando esse bate-papo exclusivo com a Liga Independente das Escolas Samba de São Paulo, Eduardo Caetano e sincero em declarar o seu sonho atual. “Mesmo estando em desvantagem por não ter nenhum recurso financeiro, o meu grande sonho e voltar com o Camisa para o Grupo Especial do Carnaval de São Paulo. Quero provar que santo de casa faz milagre sim, mesmo usando 90% de materiais reciclados para construir o nosso Carnaval, estou desconstruindo para construir, vamos em busca do título. Até porque, eu quero ir para Disney, e a presidente me prometeu”, finaliza em meu a uma risada.