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Fábio Flisch um amor pelo Carnaval que nasceu na TV de casa

Atual integrante da comissão e da diretor de carnaval da Leandro de Itaquera, Fábio Flisch revela como tudo começou

21/02/2019 Redação Liga SP - Foto: Liga SP Divulgação

Ritmista, diretor de bateria, diretor de harmonia, diretor de carnaval e integrante da comissão de carnaval. O envolvimento com o Carnaval começou cedo, aos 13 anos, quando pela TV, o adolescente descobre que no seu bairro existe uma escola de samba, a Leandro de Itaquera, e foi amor à primeira vista. Sem pestanejar e acompanhado pela irmã que mais tarde se tornaria segunda porta-bandeira da escola, Fabinho como é carinhosamente chamado no mundo do samba, conciliava o trabalho de office-boy, com os estudos no período noturno e os ensaios no fim de semana, uma rotina dura, mas que para ele era consagradora.

Formado em Educação Física pela Unicastelo, durante muito tempo Fabio Flisch conciliou os trabalhos no barracão com a vida de professor. “Eu me formei em 2004, e lecionei até 2016, hoje o Carnaval não me deixa mais. Sempre trabalhei em academia, dava aula das 06h às 10h, ia para o barracão trabalhava até umas 18h, voltava para academia e seguia com minhas aulas até umas 22h. Uma história engraçadíssima é que já deu aula de alongamento de manhã, saindo do Sambódromo, depois de passar a noite toda levando alegoria na véspera do desfile... sabe o que aconteceu? Dormi em pé, dando aula, sem ter nenhuma noção do que eu estava fazendo”, comenta.

Mesmo abandonando as academias, podemos considerar que o mundo dos esportes não abandonou Fabinho, e como um tipo de hobby, mas que na verdade é um trabalho aos fins de semana, o diretor também se formou em arbitro de futsal. “Eu estou nessa caminhada desde os meus 17 anos, sou arbitro e concilio essa função que na verdade é minha válvula de escape, serve como um momento de lazer e descontração em meio as turbulências da semana, mas levo a sério, sou remuneração e exerço com muito amor a profissão de juiz”, justifica.

Com passagens pela Tom Maior, Império de Casa Verde, Acadêmicos do Tucuruvi, Pérola Negra, Acadêmicos do Tatuapé, Morro da Casa Verde e Mocidade Unida da Mooca, Fábio Flish, jamais abandonou suas origens no bairro de Itaquera, e sempre esteve ao lado da Leandro. “Eu fiquei na Leandro por 20 anos consecutivos, de 1993 a 2013, e em alguns momentos eu conciliei, tocando na bateria de outras escolas. Em 2009, eu resolvi ajudar na harmonia e em 2010 me tornei diretor de harmonia, sendo que nos últimos dois anos eu assumi em paralelo a direção de carnaval, depois fiquei fora por cinco anos e agora estou retornando para a escola”, comemora.

Hoje acumulando as funções de diretor de carnaval e integrante da comissão de carnaval, Fábio Flisch divide suas responsabilidades no barracão com Augusto Oliveira, Paulão, Denildo, Gemilson Durval, Dinei, Guilherme Estevão e Leomax Castro. “O que me fez voltar para a Leandro foi o aval que tive do presidente em formarmos uma comissão de carnaval, onde cada um faria um a coisa, e eu chefia-se, somos oito no total”, afirma.

Matando a nossa curiosidade nesse bate papo exclusivo com a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, questionamos qual a função exata de um diretor de carnaval, e Fabinho nos esclareceu. “Um diretor de carnaval cuida de todos os quesitos e quando não tem um Carnavalesco, a função dele se multiplica. Tem que pesquisar o enredo, cuidar da compra de materiais, cuidar do trabalho no barracão. No meu caso hoje, eu desenvolvo o enredo, eu tenho uma pessoa que desenha pra mim, eu faço os pilotos, corro atrás dos matérias, faço a pasta dos jurados, ou seja, tudo é função do diretor de carnaval, sem esquecer que eu ainda acompanho os diversos setores da escola nos ensaios, geral, casal de mestre-sala e porta-bandeira, bateria, comissão de frente, interprete... é muito trabalho”, argumenta.

Quando questionando sobre os desafios e as preocupações que o Carnaval traz para quem acumula tanto trabalho como no seu caso, Fábio Flisch, rebate. “Você sabe que depois de 27 anos eu estou pensando em parar. Os últimos 30 dias que antecedem um desfile é insano, você é obrigado abrir mão de família, amigos, lazer, de tudo, sua vida se torna uma única rotina casa barracão e barracão casa, nem sempre nessa ordem, poder ser barracão X barracão mesmo, sem voltar pra casa”, reitera.

Dentre todas as escolas que Fábio Flisch já vestiu a camisa, sem dúvida uma que tem um carinho especial é a Pérola Negra, afinal, foi lá que ele conheceu a sua atual esposa, Gisa Camillo, que durante uma década ostentou o pavilhão da agremiação como porta-bandeira. “Não temos filhos de sangue, mas os três filhos da Gisa são como se fossem meus, tenho um carinho, um amor e uma admiração que ultrapassam qualquer fronteira. A Maria, por exemplo, que é nossa caçula eu peguei ela com um ano, então eu vivi todas as fases dela, isso já me basta. A minha vontade de ter um filho passou, mas se isso acontecer, juro eu vou agradecer muito, mas meu tempo de ser pai eu acredito que agora seja dos filhos dela, ou melhor, dos nossos filhos”, se emociona.

Ciente da importância que ele tem dentro da Leandro de Itaquera, o artista também sabe que sem o apoio e o entendimento da família nada seria possível. “Hoje a minha esposa é chefe da ala de passistas da Leandro, ela foi durante 13 anos porta-bandeira da Pérola, e minha filha é passista mirim da escola, o bom é que elas compreendem algumas coisas. Uma porta-bandeira tem seus horários de ensaios e acabou, acabou, já eu como diretor parece que a função nunca terá fim (risos), eu fico em média 13 horas só dentro do barracão”, relembra.

Ao explicar o enredo que desenvolve para a Leandro de Itaquera “Ubatuba. O reconto do caboclo sob a luz do luar”, por muitas vezes o autor se emociona. “Esse enredo é de fundamental importância na minha vida, sou autor dele, eu como Umbandista gostaria de dizer que essa história é do caboclo da minha casa de Umbanda. Ele foi um índio, cafuzo, que nasceu numa tribo em Minas Gerais, com pai escravo, negro e fugitivo; ele conhece uma índia e através desse amor ele nasce. Esse índio se torna um grande líder e conselheiro de sua tribo, mas aos 36 anos, ele morre de tuberculose e em sua passagem para o plano espiritual ele pede para continuar ajudando as pessoas e praticando o bem, isso é aceito e o seu instrumento de trabalho se torna a Umbanda. Esse enredo foi tirado de um livro, chamado “O Arraial dos Penitentes”, de Silvio da Costa Mattos, e me serviu de base para desenvolver esse projeto. Aguarde e esperem uma Leandro indígena, cabocla, afro e de muita fé e garra”, conclui.

Acreditando que esse pode ser um divisor de águas na trajetória da Leandro de Itaquera, Fábio, promete tentar contar na integra essa narrativa. “Nós estamos com uma energia e uma confiança muito forte, se vai dar certo, só depois dos desfiles vamos saber, afinal, que vai decidir são os jurados, mas eu confesso que nunca vi uma Leandro tão confiante e disposta. Hoje, o meu maior sonho é trazer a Leandro de Itaquera de volta para o Grupo Especial do Carnaval de São Paulo e em 2020 estar na cidade do samba”, finaliza.