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DIAS PARA O CARNAVAL!

flavio campello 2019 AT

Flávio Campello - uma trajetória no Carnaval escrita desde a infância

Um amor que atravessa gerações e que desde o berço guia os passos do artista

05/09/2018 Redação Liga SP - Foto: flavio campello 2019 AT

Um dos ditados populares mais conhecidos do nosso dia-a-dia é “Depois da tempestade vem a bonança”, sem dúvida ele se encaixa perfeitamente na trajetória profissional de Flávio Campello, artista que a mais de trinta anos se dedica ao mundo Carnaval.

Influenciado desde muito cedo pelo tio, Arlindo Rodrigues, que foi sete vezes campeão pelo grupo especial do Carnaval do Rio de Janeiro, o atual Carnavalesco da Império de Casa Verde, tem em sua memória afetiva vários acontecimentos que o marcaram desde 1982, ano em que ele entrou pela primeira vez em um barracão. “Me lembro como se fosse hoje, a escola era a Imperatriz Leopoldinense, e o enredo era “Onde canta o sabiá”, uma homenagem a Ney Gonçalves Dias. Nunca esqueço de uma alegoria que representava um sarau, era um cenário perfeito”, relembra Flávio.

Completando dez anos de história no Carnaval de São Paulo, Flávio tem passagens marcantes e colheu bons frutos na Mocidade Alegre, X9 Paulistana, Dragões da Real, Acadêmicos do Tatuapé e Acadêmicos do Tucuruvi. Agora, de casa nova, ele garante que está realizando um sonho “Para mim a galera da Império é uma galera incrível, desde o primeiro dia que pisei nessa quadra eu fui aclamado por todos, e isso para mim não tem preço, e minha forma de retribuir é estar próximo deles, acho que se eu ficar 20 anos aqui será pouco para retribuir”, conclui.

Vivendo experiências distintas, Flávio Campello foi campeão integrando uma comissão de Carnaval, com a Mocidade Alegre, em 2009, e em carreira solo com a Acadêmicos do Tatuapé, em 2017. Mesmo com a sensação do dever cumprido, o profissional revela que cada conquista tem um gostinho diferente. “Ambas as vitórias são maravilhosas, mas a solo tem uma magia maior, apesar de sentimentos distintos e as alegrias serem as mesmas o que aconteceu na Tatuapé ficou muito marcado para mim e para escola que nunca havia conquistado um título, e ele chegou na hora certa, exatamente quando a agremiação completava 64 anos de história”.

Com dimensões parecidas a conquista de um título e a possível perda, caminham lado a lado, e nesse bate papo exclusivo com a Liga Independente das Escolas de Samba, Flávio se recorda do trauma de perder quase 100% do seu Carnaval em 2018, com a Acadêmicos do Tucuruvi, faltando um mês para o desfile. “Esse projeto com a Tucuruvi era um sonho pessoal meu, de repente no meio da madrugada eu recebo um telefonema dizendo que nossas fantasias estavam no fogo, a dor que um profissional sente nessa hora, é indescritível”, lamenta.

Como num livro, onde automaticamente você é obrigado a virar a página e seguir com a história; nossa vida real também é assim. Para 2019, felicidade e empolgação são as receitas do novo projeto de Flávio Campello. Defendendo as cores da Império e cheio de gás, ele desenvolve o enredo autoral, “O Império contra-ataca”, que contará os 124 anos do cinema, e afirma. “Eu acredito que esse enredo será um divisor de águas na minha carreira, acredito demais na história que temos para contar, e acredito mais ainda na força dessa comunidade. Tenho certeza, 2019 ficará marcado tanto na minha vida como na vida da escola, que completa 25 anos”.

O Carnavalesco revela que o projeto integra uma trilogia, algo que ele sonhou durante muito tempo em fazer. “Eu sempre quis criar uma trilogia na minha vida, uma já foi o museu em 2018, agora 2019 estou desenvolvendo o cinema, quem sabe nos próximos anos eu não fale de literatura, minha ideia é usar títulos de grandes livros e transformar em fantasias, alegorias, enfim”.

Uma das preocupações de Flávio é com o público que prestigia o seu trabalho. O profissional acredita que é fundamental a compreensão do que está sendo apresentado na passarela do samba. “Eu sempre gostei de temas populares, que de cara o público identifique o que está passando na avenida. Nesse enredo da Império serão 52 filmes exaltados, divididos entre as alas e as alegorias, todos recordes de bilheteria e sucesso nas telonas”, comemora.

Quando questionado sobre a criação de um enredo utópico, aquele sonhado e que pode nunca ser concluído, Flávio é incisivo “Meu sonho é homenagear, Fernanda Montenegro, a grande diva do cinema, do teatro e da dramaturgia brasileira”, finaliza.