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Mancha Verde

Jorge Freitas: "Mancha vai fazer Carnaval para ser campeã"

Carnavalesco falou em namoro antigo com nova escola e explicou enredo que terá missão de tentar título inédito

17/05/2018 Redação Liga SP - Foto: Mancha Verde

Entre muitas novidades que as escolas de samba estão apresentando para o Carnaval 2019, talvez a maior delas seja a ida do carnavalesco Jorge Freitas para a Mancha Verde - namoro antigo, segundo ele. Dono de quatro títulos do Grupo Especial, o profissional busca agora a conquista inédita para a agremiação.

Jorge explicou a ideia por trás do enredo "Oxalá, salve a princesa! A saga de uma guerreira negra", que será apresentado pela Mancha em 2019. De acordo com o carnavalesco, um tema inédito - a história de luta da avó de Zumbi dos Palmares e sua busca por igualdade - e que, em sua opinião, coloca a agremiação entre as favoritas ao troféu.

Membro do corpo técnico da Liga SP, Freitas falou ainda sobre o resultado do Carnaval 2018, que terminou com quatro escolas com pontuação máxima, e o que pode ser melhorado para a disputa do ano que vem em termos de avaliação e jurados:

Liga SP - Como você avalia o resultado do Carnaval 2018?
Jorge Freitas - Eu acho que está sendo tudo muito novo. O projeto da Liga está aí para que a gente consiga chegar à perfeição e, querendo ou não, tudo é questão de jurado. E para isso estamos fazendo treinamentos. Eu acho que tem que trabalhar durante o ano todo, porque aí a gente realmente vai conseguir fazer um projeto para chegar bem mais próximo da excelência. Isso em questão a jurados. Jurado é treinar.

Liga SP - Justamente a pergunta porque você faz parte do corpo técnico da Liga e, ao mesmo tempo, a Império era uma escola muito cotada ao título do Carnaval 2018.
Jorge Freitas - É o que eu te falei. É questão de jurado, mesmo. O treinamento foi feito. É entendimento de cada jurado. E os erros que ocorreram lá no passado em termos de jurados a gente vai aperfeiçoando para que no próximo ano isso não ocorra.

Liga SP - Virando a página, como foi seu contato com a Mancha Verde?
Jorge Freitas - Eu e o Paulinho (Serdan) já havíamos tido a conversa há bastante tempo, mas não era o momento certo para execução de projeto. E esse ano, com a minha saída da Império, houve o interesse de conversar. Isso aí já é namoro há bastante tempo e é recíproco de ambas as partes.

Liga SP - Vocês vão apresentar um enredo afro. Fala um pouquinho sobre ele.
Jorge Freitas - Na verdade é afro-brasileiro. É uma negra que nasceu princesa e foi escravizada. Trazida para o Brasil, passou torturas e aqui ela começa a sua saga. Por que saga? Saga é na questão de ser herói e essa nossa saga da negra é dela nunca desistir do que ela queria. Ela é princesa e escravizada, mas não desiste de seus ideais, que realmente é trazer ao seu povo, sua raça, a questão da igualdade racial, a luta pela liberdade. E ela vê em Palmares essa questão de poder lutar. E vai ter um ponto principal em tudo isso. Ela é mãe de Ganga Zumba e avó de Zumbi dos Palmares. Inúmeras escolas já falaram de Ganga Zumba e de Zumbi dos Palmares, mas nunca ninguém falou da mãe e da avó. E se não houvesse essa princesa, hoje fatos da história do Brasil não poderiam ser contatos.

Liga SP - Qual é o nome desta mulher?
Jorge Freitas - Aqualtune. Mas a gente não cita nome. A gente sempre a coloca como a princesa negra que foi escravizada. Porque, em termos de dados, não tem coisas concretas. Na nossa sinopse, a gente conta uma história fictícia, porque ela pode ser real, mas pode ser também uma lenda. E a ênfase do nosso enredo é a busca da igualdade e a luta sempre pela contra essa desigualdade, não só do negro. Hoje a gente tem que lutar contra várias desigualdades, a intolerância religiosa é uma. E a gente sempre cita, desde o início do nosso enredo estamos fazendo esse sincretismo. Ela nasce na África, é recebida por Xangô e Oxum, remetendo ao nascimento do menino Jesus. Estamos sempre fazendo esse sincretismo. Ela chega em Pernambuco e não pode expressar sua religiosidade, que era a devoção aos orixás, então ela se apega a Nossa Senhora do Rosário. E quando ela é imortalizada, quando passa para outra fase da vida e é espiritualizada, são os orixás que a recebem.

Liga SP - É um enredo que você já tinha na cabeça?
Jorge Freitas - Não. Eu sempre quis fazer um enredo afro, mas a ideia foi da Mancha mesmo. Quando nós conversamos, o presidente me passou a ideia desse enredo.

Liga SP - A Mancha vem do melhor resultado de sua história, o terceiro lugar no Carnaval 2018. O que falta, na sua concepção e que vocês irão trabalhar ao longo desse ano, para a escola conquistar o título?
Jorge Freitas - Ela foi também campeã nesse ano, porque obteve a mesma pontuação da primeira colocada. Foi questão de sorteio de ordem de quesito para a definição de quem ficava em primeiro, segundo ou terceiro lugar. Agora é o que eu te falei na primeira pergunta. É estudo de critério, estudo de planilha de jurado. Isso é um ponto que eu coloco. A gente tem que nivelar o Carnaval por cima e eu acho que um dos erros desse ano nosso foi planilha. A planilha errou. Porque consertando a planilha você vai fazer com que os quesitos sejam comparativos. Quem na verdade coloca um trabalho melhor tem que ser avaliado de forma melhor. Então o que falta na verdade para uma escola como a Mancha, com uma proposta de um Carnaval grandioso, um Carnaval com detalhes, é fazer com que o julgamento valorize quem está fazendo um trabalho de nível mais alto. Aí sim eu acho que respondo tua pergunta, aí eu acho que a gente vai conseguir ganhar o Carnaval. Sem demagogia, nós vamos fazer um Carnaval para ser campeão. O Carnaval que a Mancha vai apresentar é um Carnaval para ser campeão. E todos os detalhes para que isso possa acontecer, nós estamos trabalhando. Plástica e unindo esse trabalho plástico com o ser humano.

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