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DIAS PARA O CARNAVAL!

Leno Vidal - RaioX do Carnavalesco

Leno Vidal um profissional que une arte e educação

Atual Carnavalesco da Independente Tricolor tem em sua trajetória duas paixões: o Carnaval e a sala de aula

16/10/2018 Redação Liga SP - Foto: Leno Vidal - RaioX do Carnavalesco

Nascido em Belém do Pará, e formado em Artes Visuais e Tecnologia da Imagem pela Universidade da Amazônia, Leno Vidal desde muito cedo se apaixonou por tudo que tivesse alguma ligação com a arte. Com 37 anos de vida, o jovem cheio de ideais e prestes a completar 20 anos de Carnaval, segue aprendendo e ensinando.

Intenso, Leno Vidal, foi uma daquelas crianças de desde muito cedo tinha a certeza de que cortar, modelar, costurar, decorar, adereçar e até ensinar estaria de alguma maneira embutida em sua trajetória profissional. “A minha família é toda envolvida nessa atmosfera, minha tia foi estilista, minha avó era uma grande costureira, enfim, eu sempre estive envolvido desde muito pequeno com essa realidade. Me lembro do primeiro trabalho, eu confeccionei uma fantasia para o concurso “as rainhas das rainhas” do Carnaval Paraense, em 2001, a exatos 17 anos”, relembra.

Aplicado, depois de desenvolver alguns projetos em sua cidade natal, o artista mudou-se para São Paulo, a exatos 12 anos, e ao lado de Raul Diniz, na X9 Paulistana, iniciou sua carreira na capital paulista. Mais tarde, Unidos do Peruche e Unidos de Vila Maria foram as escolas que pode desenvolver e aperfeiçoar o seu talento. Leno, teve a oportunidade de trabalhar lado a lado com profissionais gabaritados como Fábio Borges e Chico Spinoza. Posteriormente migrou para o Rio de Janeiro, e com a cede de novos desafios teve a honra de trabalhar com Alexandre Louzada, na Portela e na Mocidade Independente de Padre Miguel. “No Rio, iniciei como aderecista, depois o Louzada me lançou como estilista de escultura, tudo por conta do meu trabalho minucioso em vestir uma escultura, dar um bom acabamento e não usar elementos tão convencionais para o Carnaval, enfim, foi uma experiência impar”, recapitula o profissional.

Seu retorno para São Paulo aconteceu de forma natural também como aderecista e no decorrer do processo, passou a integrar a Comissão de Carnaval da escola. “Tudo foi muito rápido e inovador na Independente Tricolor, o presidente Batata gostou muito do meu trabalho, e no ano passado eu dividi a função com outros dois profissionais Anderson Rodrigues e o Roberto Monteiro, todos sob a supervisão de André Cezari”, recorda.

Reconhecido e considerando o seu processo muito consistente, hoje, Leno Vidal, tem a oportunidade de desenvolver todos os processos de um desfile. “A base de um Carnaval é o barracão, eu acredito que é fundamental colocar a mão na massa. Poucas pessoas sabem que eu pesquiso o enredo, desenho e desenvolvo todas as fantasias e alegorias, e por fim, vou vê-lo na avenida”, comemora.

Movido pela paixão ao Carnaval, o profissional ainda encontra tempo para lecionar e ampliar seus horizontes no dom de ensinar. Professor de Artes Visuais na rede pública de ensino, na região do Butantã, ele se sente completo ao exercer as duas profissões. “São dois amores na minha vida, e dois amores que caminham lado a lado, afinal, tanto o mundo do Carnaval como a vida em uma sala de aula promovem o ensino”, reitera.

Ainda na busca em unir o Carnaval com a sua aptidão em ensinar, o professor Leno Vidal acredita que ambos os seguimentos seguem lado a lado. “Nós que estamos no Carnaval sabemos o quanto as escolas de samba promovem o ensino dentro do espaço carnavalesco. Aqui temos diversas frentes de trabalho, diversos profissionais e diversas pessoas que estão dispostas a aprender. É o serralheiro, o ferreiro, o pintor de arte, o escultor, enfim, o ensino é diário, e sinceramente eu acredito sempre que o conhecimento deve ser compartilhado”, complementa.

Brincando com as várias atividades que exerce ao longo de seu dia, Leno, se define como uma grande encruzilhada na vida. “Eu atuo em diversas frentes, da educação, da arte, dos movimentos sociais em defesa das religiões afro brasileiras e dos LGBT, e em especial do Carnaval”, festeja.

Seguro de que quem trabalha com Carnaval tem que ter o coração forte em vários aspectos e uma relação humana muito grande por lidar com a vaidade, o Carnavalesco acredita que é necessário estar pronto para viver novos desafios, sempre. “Você deve estar sempre proposto a vivenciar todos os obstáculos que aparecerem ao longo da jornada. Passamos por momentos difíceis sim, precisamos constantemente correr atrás e diariamente acreditar que será possível”, confessa.

Buscando o retorno a elite do Carnaval de São Paulo com a Independente Tricolor, Leno Vidal que pelo primeiro ano desenvolve um projeto sozinho na agremiação é muito ciente de sua responsabilidade. “Eu abracei muito forte esse desafio e não estou medindo esforços para isso. Tenho 20 anos de Carnaval e essa é a primeira vez que eu trabalho no Grupo de Acesso 1, por isso o meu método de inspiração precisa ser muito maior. O que eu não tenho no bolso preciso tirar da cabeça”, afirma.

Desenvolvendo o enredo “Para sempre vou te amar”, o Carnavalesco exemplificou o que iremos apreciar na passarela do samba. “Nosso Carnaval é inspirado na obra de Dante Alighieri, o nosso enredo será uma grande viagem de amor, uma celebração a partir da Divina Comédia, tudo bem estilo Joãosinho Trinta, meu mestre, minha grande fonte de inspiração”, define.

Concluindo esse bate papo exclusivo com a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, Leno Vidal, almeja realizar ainda muitos desfiles dentro do eixo Rio-São Paulo, mas pretende jamais perder a essência de quem desde muito cedo acreditou no sonho e hoje pode dizer que parte dele foi concluído, a outra metade, segue em construção. “Desde pequeno eu sempre tive a minha Marquês de Sapucaí e o meu Anhembi imaginário. As minhas arquibancadas eram construídas com os livros do meu avô. Na teoria as alegorias eram criadas através das capas de discos que eu recortava e colava nas caixas de remédio, e ao fechar os olhos eu relembro a minha ala das baianas, todas tinham roupas confeccionadas com forminhas de brigadeiro e palito de dente. Hoje eu concretizo esse sonho e sigo querendo muitos outros”, finaliza reverenciando a sua memória afetiva