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DIAS PARA O CARNAVAL!

Magoo - Carnavalesco

Magoo uma paixão inabalável pela Combinados de Sapopemba

Com 30 anos dedicados ao Carnaval, Pedro Alexandre, revela que seu maior combustível é o amor a esse pavilhão

06/11/2018 Redação Liga SP - Foto: Magoo - Carnavalesco

Nascido e criado na rua da antiga escola de samba Paulistano da Glória, que mais tarde encerrou suas atividades e viu os seus componentes migrarem para um bloco chamado Combinados de Sapopemba, Pedro Alexandre, ou simplesmente, Magoo se apaixonou pelo Carnaval nos primeiros anos de vida e hoje faz do seguimento a sua razão de viver.

Formado em desenho indústria e em designer gráfico, Magoo, começou logo cedo a desenhar, construir fantasias e desenvolver alegorias, mas a oportunidade dentro da Combinados de Sapopemba, só surgiu em 1988, quando assinou o seu primeiro Carnaval. “Fiquei na Combinados por 20 anos, até 2008/2009, as pessoas me chamavam para ir para outras escolas e eu não conseguia abandonar os projetos que estavam em andamento por lá, sendo assim, eu fazia trabalhos em paralelo para reestruturar a quadra e também me sustentar. Criava desenhos de carros alegóricos e fantasias para escolas do interior e tudo que ganhava investia no crescimento da Combinados de Sapopemba”, comenta orgulhoso.

Exercendo sua profissão em paralelo, o Carnavalesco trabalhou por 10 anos no jornal O Estado de São Paulo e por mais 8, no Diário de São Paulo. “Eu sempre trabalhei em departamentos de criação, de desenho e de publicidade. Mas só consegui esses empregos porque aperfeiçoei a minha vocação, fiz muitos cursos como bolsista na Escola Panamericana de Arte, lá minhas ideias afloraram e caminhos mais rentáveis foram surgindo”, relembra.

Em 2010, surge a Mancha Verde na vida de Magoo. Frequentador de estádio e palmeirense apaixonado, ele teve a oportunidade somar as duas paixões, e passou a trabalhar ao lado do então Carnavalesco, Cebola, integrando o projeto “Aos Mestres com Carinho! Mancha Verde "ensina" como criar identidade!”, a agremiação dá qual agora integrava conquistou a quarta colocação. “Eu fiquei na Mancha, em 2011 e 2012, depois fui convidado pelo Presidente Mantega para desenvolver um projeto que me identifiquei muito na Nenê de Vila Matilde, foi então, em 2013 que resolvi respirar os ares da Zona Leste, por lá, fiquei três Carnavais muito felizes”, rememora.

Depois de consolidar a Nenê de Vila Matilde no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, em 2016, o profissional recebe um novo desafio, alavancar novamente a Mancha Verde que havia ficado em décimo terceiro lugar no ano anterior. Magoo, aceita e reedita o enredo “Mato Grosso - Uma Mancha Verde no Coração do Brasil”, colocando a agremiação novamente no pelotão de elite. “Foi um ano de muita superação, a autoestima da comunidade estava bem abalada e poucos acreditavam em um retorno. Mas esses poucos se tornaram muitos e a escola subiu até com uma certa folga em comparação com a segunda colocada. Eu fiquei muito feliz de integrar a equipe da Mancha naquele ano e principalmente fazer parte desse momento tão emocionante para sua história. Fiquei na escola em 2017 e em 2018, aliás, nesse ano foi o melhor resultado da escola e da minha carreira no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, foi gratificante fazer essa grande homenagem ao Grupo Fundo de Quintal”, recorda.

O amor pela Combinados de Sapopemba fez Magoo reavaliar os seus conceitos sobre trabalhar em um grande escola do Grupo Especial, e depois de muita reflexão ele optou por defender a agremiação no Grupo de Acesso 2. “E a escola que eu comecei, com o passar dos anos eu me sentia mal de desenvolver projetos para grandes agremiações e ver a minha escola do coração passando por tantas dificuldades. A dois anos a Combinados está lutando com muito esforço para não sair do Anhembi, para não sair do Grupo de Acesso 2 e cair na Uesp, o meu retorno é uma dívida com a comunidade”, argumenta.

Desde criança Magoo revela que nunca ganhou um real nos trabalhos que desenvolveu para a Combinados e que hoje não é diferente. “Hoje eu vivo de algumas economias que guardei durante os anos que estive em escolas do Grupo Especial e de trabalhos paralelos que realizo como designer gráfico para clientes que atendo a muito tempo com campanhas de logomarca”, afirma de consciência tranquila.

Encarando o desfile de 2019 pela Combinados com um dos seus maiores desafios na carreira, o profissional tem certeza que será recompensado. “Estou pegando uma escola do zero e quero fazer ela grande. A Combinados está desacreditada, mas eu vou surpreender, tenho certeza que quando a agremiação entrar na avenida todos irão olhar e se perguntar de onde nós tiramos esse projeto. Eu ainda vou ver aquele sapo doido cruzando a faixa amarela no Grupo Especial de São Paulo”, sonha o Carnavalesco.

Dentre os enredo que já desenvolveu ao longo de seus anos de carreira, “A Bença minha Mãe Baiana!”, título do projeto da Combinados de Sapopemba tem autoria e concepção de Magoo. “Vamos fazer um enredo cultural, uma homenagem a todas as “tias” baianas do samba, aquelas pessoas que passaram pela escravidão, o que cada baiana representa para uma escola de samba, já que elas são unanimes. Minha ideia é colocar três alas de baianas e ter baiana de todas as escolas do Grupo Especial, Acesso 1 e 2”, reforça.

Quando questionado quais enredos que já desenvolveu foram os mais satisfatórios, Magoo afirma rapidamente. “São dois, “Moçambique - A Lendária terra do Baobá sagrado!”, pela Nenê de Vila Matilde e “A amizade. A Mancha agradece do fundo do nosso quintal”, com a Mancha Verde. O primeiro por se tratar de um país tão importante e pouco lembrado, e o segundo porque quando finalizei a apresentação ouve uma salva de palmas do próprio Fundo de Quintal, confesso que foram momentos indescritíveis”, reitera o artista.

Casado a 12 anos com Andreia, Magoo não tem filhos, e nesse papo descontraído com a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo se mostrou um homem modesto, sem ambições e com um único desejo nos próximos meses, ver a escola que o apresentou para o mundo do Carnaval crescer. “Eu não lembro de mim sem o Carnaval. As piores e as melhores pessoas que conheci foi nesse mundo, o que eu gosto e de estar todo sujo, com o grampeador na mão colando tecido. Eu conheço os componentes de cada agremiação que já defendi, e me orgulho disso. Juro, pode acreditar, esse ano será de muita surpresa. A curto prazo quero levar a Combinados para o Grupo de Acesso 1 e a longo prazo levar esse povo todo da Sapopemba para desfilar na sexta ou no sábado de Carnaval”, finaliza.