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DIAS PARA O CARNAVAL!

Pedro Taveira/Liga SP

Bateria da Terceira Idade

Mestres Zuza, da Vai-Vai, e Marquinhos, ex-Peruche, ensinam samba a idosos em projeto social

19/12/2017 Redação Liga SP - Foto: Pedro Taveira/Liga SP
São Paulo é uma cidade de ritmo tão frenético que às vezes pouco enxergamos o que está à nossa volta. Mas quem passa por baixo do Viaduto do Chá nas tardes de quinta-feira dificilmente não repara em um grupo de idosos fazendo samba. É lá que Edison dos Santos Barbosa, o mestre Zuza, comanda uma bateria formada por somente homens e mulheres da terceira idade.
 
O projeto surgiu há dez anos no Parque da Água Branca, Zona Oeste da capital paulista. Os idosos sempre se organizavam para desfilar em um bloco pré-Carnaval, mas contratavam ritmistas de escolas de samba tradicionais. Veio, então, a ideia de montar a própria bateria.
 
 
"Eu sou um dos fundadores da bateria de idoso. Comecei porque antigamente eles pagavam uma bateria de escola de samba para poder desfilar no Carnaval. Eles desfilam há muito tempo e pagavam. Aí eu falei assim: 'vamos fazer a própria bateria de idoso, vamos fazer eles tocarem'", afirmou Zuza.
 
"Quando eu comecei, peguei o pessoal com a munheca dura. E fui trabalhando para poder fazer pelo menos o básico. E aí começou a sair. Todo Carnaval são eles mesmos que tocam e não precisam contratar essa molecada para poder fazer a bateria. Os idosos mesmo estão lá no trabalho", disse o mestre.
 
Atualmente são cerca de cem integrantes na bateria, a grande maioria mulheres. Zuza, diretor de bateria da Vai-Vai, tem o auxílio do mestre Marquinhos, ex-Unidos do Peruche, que levou o grupo há dois anos para dentro do Creci (Centro de Referência do Idoso).
 
"Todo ano a gente tem mais ou menos uma base de cem senhoras. A maioria é senhoras. Tem pouco homem, quatro ou cinco. Todo ano entra gente nova que eu vou lapidando para ver o instrumento que a pessoa é melhor. O que eles se sentirem melhor tocando é o que vão ensaiar", falou Zuza, que é vê as ritmistas como mães.
 
"Perdi minha mãe quando eu tinha cinco anos e sempre falei que tenho essas senhoras como minhas mães. Eu trato elas assim", completou o mestre.
 
E a relação é recíproca. Mais antiga integrante da bateria de idosos, Maria Angelita de Oliveira, de 71 anos, fazia parte da ala das baianas da Rosas de Ouro e diz ver Zuza como um filho.
 
"Ele (Zuza) é muito legal, trata todo mundo bem, me trata como se fosse mãe dele e eu trato ele como se fosse meu filho. Mas agora eu não estou tocando porque estou com problemas no joelho, a perna entortou e não posso ficar em pé muito tempo", disse a aluna, que mesmo sem tocar não pretende deixar o grupo.
 
"Eu era da Rosas de Ouro. Eu era baiana. Faz 13 anos que eu saí e entrei depois nesta aqui com ele. E dessa daqui eu não vou sair. Só vou sair quando for para o cemitério lá em Perus", brincou Angelina.
 
Nascido no bairro do Glicério, na região central de São Paulo, Zuza começou sua trajetória no Carnaval na Lavapés, a mais antiga escola de samba paulistana em atividade. Na Vai-Vai, onde é diretor de bateria, está desde os 12 anos.
 
A bateria da terceira idade ensaia todas as quintas-feiras, às 15h. O grupo realizou apresentação de encerramento de ano no último dia 14 e volta aos trabalhos em 11 de janeiro de 2018.