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DIAS PARA O CARNAVAL!

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Mestre-sala e porta-bandeira: origem do casal vem da época da escravidão

Sozinha, a dupla é responsável por um quesito na apuração dos desfiles e pode dar à agremiação 30 pontos na disputa do Carnaval

10/11/2017 Redação Liga SP - Foto: imagem-padrao

O casal de mestre-sala e porta-bandeira é um dos mais importantes componentes de uma escola de samba. Sozinha, a dupla é responsável por um quesito na apuração dos desfiles e pode dar à agremiação 30 pontos na disputa do Carnaval. E a origem destas figuras fundamentais para o sucesso ou fracasso de uma apresentação remete à época da escravidão.

Segundo sambistas antigos, o surgimento da porta-bandeira e do mestre-sala se deu nas senzalas. Quando eram realizados os saraus na casa grande, terminada a festa as toalhas das mesas eram levadas para serem lavadas. Entre as escravas sempre havia aquela que pegava uma toalha e a prendia em um cabo de vassoura, dando a ideia de uma bandeira.

Com outras toalhas a escrava tornava sua saia bem volumosa, como as das sinhazinhas, e começava a imitar o minueto que assistia nos salões. E, enquanto na casa grande o arauto anunciava a chegada dos convidados com uma reverência, os escravos faziam o mesmo com a "porta-bandeira" na senzala.

No início do século XX, já no contexto do Carnaval, o casal era representado pelo baliza e pela porta-estandarte, respectivamente. O baliza protegia a porta-estandarte para que nenhum integrante de grupo rival roubasse a bandeira da escola. Normalmente isso ocorria no clímax das festas, quando os componentes se descuidavam.

Vale destacar que a bandeira sempre foi o símbolo máximo de uma escola. Beijar o pavilhão, como os sambistas gostam de chamar, é uma honra para os integrantes de uma agremiação, por exemplo. Ter sua bandeira roubada por um adversário é motivo de chacota. Daí a importância de se destacar alguém para protegê-la.

A dança do casal é um ritual baseado na arte da conquista. A missão dele é cortejar a parceira, além de proteger e exibir orgulhoso o pavilhão de sua escola. Já ela deve conduzir e apresentar a bandeira, sempre a ostentando em gestos graciosos sem enrolá-la em seu próprio corpo, bailando mais do que sambando.

No Carnaval de São Paulo, mestre-sala e porta-bandeira é um dos nove quesitos de avaliação de um desfile. As escolas podem levar para a avenida mais de um casal, mas somente o desempenho do primeiro, aquele que leva o pavilhão oficial da agremiação, conta para a definição das notas.