Tradição Albertinense - Rômulo Camargos

O amor de Rômulo Camargos pela Tradição Albertinense

Integrando a Comissão de Carnaval ao lado de Diego Mota e Leonardo Rocha, o artista se declara o “faz tudo” na escola

15/02/2019 Redação Liga SP - Foto: Tradição Albertinense - Rômulo Camargos

Ritmista, diretor de bateria, mestre de bateria, assim começou a história de Rômulo Camargos, integrante da Comissão de Carnaval da Tradição Albertinense. Apaixonado pelo seguimento desde os primeiros anos de vida, Rômulo participava dos desfiles ao lado de seus amigos de creche, e confessa que por muitas vezes reclamava com a educadora, Tia Nice, que ele e os demais colegas tinha que desfilar. “Meu primeiro desfile foi em 93, eu tinha 8 anos, e foi pela Gaviões da Fiel. Me recordo que chegue em casa de madrugada, quando vi o desfile ainda rolando pela televisão tive a certeza de que era naquele mundo magico que eu queria ficar”, relembra.

Em 1998, com 13 anos, Rômulo tem a oportunidade de conhecer mais a fundo a Acadêmicos do Tucuruvi e então descobriu que também poderia contribuir com o Carnaval de uma outra maneira “Eu comecei como ritmista na Acadêmicos do Tucuruvi, foram 17 anos ininterruptos, depois com a fundação da Tradição Albertinense eu além de ritmista fui crescendo, me tornei diretor e depois mestre de bateria. Por problemas pessoais em 2015 eu fiz uma pausa, mais em 2016 eu retomei, e pretendo esse ano vir ao lado do Mestre Guma na Bateria do Zaca, como um de seus ritmistas”, comemora.

Nesse período, algo que incomodava demais Rômulo era a diferença entre letra do samba e melodia, hoje quesitos que se uniram na avaliação nos jurados. “Eu era muito pequeno e não entendia a diferença de um e de outro, sem internet e todas as possibilidades que temos hoje eu ficava bem perdido, por isso que eu acredito que houve uma maior identificação na minha infância e adolescência com a bateria da escola de samba”, explica.

Em paralelo a função de ritmista na Tucuruvi, Rômulo viu despertar o interesse por outros seguimentos dentro do barracão e a vida foi ganhando novos rumos. “Eu fui entendendo aos poucos como funciona o metro de uma placa de isopor, o metro do tecido como deveria ser utilizado, como poderia se esculpir, enfim, fiquei lá pouco mais de um ano, e aprendi muito. Mas foi na Tradição Albertinense que consegui colocar tudo em prática, fundada em 2002 e com poucos recursos restava para quem estava no barracão colocar a mão da massa e literalmente aprender na prática”, recorda.

Participando de forma discreta nos primeiros anos de fundação da Tradição, foi em 2011, mesmo ano em que sua mãe Creuza Camargos, assume a presidência da escola, que o trabalho começa a ganhar destaque e Rômulo se deixa envolver por outras áreas dentro do barracão. “Com o passar dos anos a minha vida foi se confundindo com a vida da escola, e hoje eu sou o único que não tem uma carteira assinada e nem um emprego fixo. Passo mais tempo dentro do barracão do que em casa, com minha família, nessa reta final de preparação para o desfile por exemplo, estou a oito dias sem ir para casa, afinal, alguém precisa supervisionar o trabalho. Trabalhamos com muita reciclagem e reaproveitamento de materiais e precisamos de alguns cuidados para não se perder nada”, argumenta

Integrando a Comissão de Carnaval, ao lado de Diego Mota e Leonardo Rocha, o artista descreve como funciona a divisão dentro de funções. “Como eu fico direto no barracão já que sou autônomo e vivo realizando samba show pelo pais, sem muito horário fixo, optamos por deixar o desenvolvimento do enredo para o Léo Rocha, que acumula a função de interprete da escola e o Diego Mota, nosso mestre sala, que cuida da parte plástica, aí juntamos essa tripla força para concluir o desfile”, resume.

Acumulando as funções de vice-presidente da escola, diretor de barracão e integrando a Comissão de Carnaval, hoje toda a família de Rômulo está envolvida com o Carnaval da Tradição Albertinense, mas não é assim que gosta de definir. “Minha mãe nunca imaginou ser presidente de uma escola de samba, ela costurava, ajudava no barracão e por amor as cores da escola, quando o último presidente deixou o cargo a indicação do nome dela foi unanime, e ela acabou aceitando. Por isso que digo, a escola se tornou a nossa casa, mas não só da minha família, mas de muitas outras que assim como nós vestem a camisa e acreditam nessa comunidade”, descreve.

Considerando uma melhorá significativa no trabalho que a escola vem desenvolvendo, Rômulo atribui as mudanças que ocorreram em dois aspectos, a transferencia para a Fábrica do Samba 2 e a possibilidade de ter uma quadra para ensaiar. “Hoje nós temos um lugar para deixar nossas alegorias, não precisamos mais nos preocupar com a chuva e nem com o roubo de material e até de alegoria. E o fato de ter um lugar fixo para ensaiar, auxilia muito, afinal, a comunidade se sente bem mais segura e não precisa contar com a ajuda de São Pedro, esse ano por exemplo vem chovendo demais, imagina se não tivéssemos nosso cantinho, não teríamos ensaiando. Estamos melhorando as condições da escola ano a ano, e isso é muito representativo”, reafirma

Nesse bate papo exclusivo com a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, Rômulo Camargos descreve dois fatos curiosos que o marcaram, ambos relacionados ao seu filho, Leonardo, hoje com três anos e seis meses. “O primeiro foi a primeira vez que meu filho falou papai, acredita que foi através de uma vídeochamada, sabe onde eu estava? No barracão, a seis dias longe de casa. E o segundo fato se refere ao nome do meu pequeno, em 2015, ano que ele nasceu foi um dos Carnavais mais marcantes da minha vida, eu estava sozinho no desenvolvimento do enredo, fui mestre de bateria e ainda ajudei na confecção do samba-enredo, e a escola foi campeã, na época da UESP, em gratidão ao Leonardo Rocha, batizei meu filho com o seu nome. O Léo é mais que um amigo, é um irmão, devo muito a ele”, relata.

Quando o assunto é a relação com a esposa Kelly, Rômulo faz questão de demostrar todo seu amor. “Eu conheci minha esposa no samba, ela queria aprender a tocar tamborim, eu fui ensinar e até hoje estamos juntos. Ela é tudo pra mim, sofremos muito com a distância, eu moro em Mogi das Cruzes, e isso muitas vezes por atividades que tenho com a escola, o meu retorno pra casa fica comprometido. Tenho certeza que se não fosse o apoio dela, a confiança e o amor, eu não resistiria essa missão que me foi dada”, se emociona.

Classificando o enredo 2019 como algo que tem tudo haver com a comunidade, o integrante da Comissão de Carnaval resume o que vamos ver na passarela do samba com “Salve Simpatia”. “Esse enredo pretende provocar alegria no espectador, vamos trazer todos os cenários que as músicas de Jorge Bem Jor nos transportam. A ideia central é fazer uma grande homenagem aos grandes sucessos da carreira do cantor, temos a certeza de que a música dele nos coloca em diversas realidades e que será de fácil assimilação com os expectadores”, finaliza.