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Desfiles/Mancha Verde

Os segredos de um samba campeão

Refrão "chiclete", ousadia e emoção: afinal, o que faz um bom samba de enredo?

30/11/2017 Redação Liga SP - Foto: Desfiles/Mancha Verde
Dizem os compositores que um bom samba de enredo é meio caminho andado para um Carnaval bem sucedido. Uma escola pode até apresentar um bom tema e um desfile bonito na avenida, mas se o samba não empolgar as arquibancadas fica difícil pensar em título. Sendo este então um dos quesitos mais importantes julgados, o que é necessário para se criar um samba de enredo campeão?
 
"A partir de um grande enredo nasce um grande samba. Uma sinopse bem escrita te dá a possibilidade de um entendimento tranquilo e, a partir desse entendimento, é possível buscar saídas para materializar em um grande samba de forma poética", disse JC Castilho, que há três anos emplaca sambas na Rosas de Ouro.
 
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"De tão inteligente que foi essa sinopse, de pegar no coração do caminhoneiro, foi fácil fazer. A gente fez o samba e foi atrás dos caminhoneiros para ver se eles gostavam, porque a história é a história da vida deles", completou Guilherme Macedo, um dos parceiros de Castilho e coautor do samba que a Rosas apresentará em 2018, uma homenagem aos caminhoneiros do Brasil.
 
Estudar é a arma também de Marcelo Casa Nossa. O produtor musical já escreveu para a Império de Casa Verde e é um dos autores dos sambas de Mancha Verde e Vai-Vai para o próximo Carnaval.
 
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"A ousadia tem que estar com você. Eu estou falando de samba de enredo, mas isso vale para a vida. O que te marca é a ousadia e o bom gosto. O estudo é importante, é importante você ler, porque tem samba que você vê que não tem pé nem cabeça", disse Casa Nossa. Ele falou sobre o processo de composição do samba da Mancha, que homenageia o grupo Fundo de Quintal.
 
"A inspiração é um lampejo. E ele pode não vir. Eu sonho com melodia, eu sonho com letra, eu estudo. Não é fácil. Pra você chegar num resultado desse não é fácil. Estudar o Fundo de Quintal? Você é maluco! Outro dia, às 5 horas da manhã, peguei o cavaquinho e fui pra sala. Minha esposa levantou preocupada, perguntando se estava tudo bem. E eu: 'Está ótimo, já encontrei a melodia da Mancha aqui'", disse o produtor.
 
Emoção é algo que também não pode faltar. Essa é visão de quem, além de compor, interpreta o samba na avenida. Para Darlan Alves, da X-9 Paulistana, uma música boa é aquela que domina logo na primeira vez que é ouvida.
 
"Quando o compositor te manda a obra para decorar, você já escuta o samba e fala 'é um sambaço'! Isso só na voz e cavaco. Quando ouve a música e fala 'c***, não acredito que eu vou cantar isso'. O samba já te domina ali", afirmou Darlan. "O folião, o cara que escuta, gosta de se emocionar. O samba bom, o samba que domina, é aquele que vai pra quadra e as pessoas falam 'pô, é esse aí'. O cara já consegue conquistar a comunidade", completou o intérprete.
 
E a receita?
 
Como juntar estudo, ousadia e emoção em algumas linhas e acordes? Zé Carlinhos, autor de sambas que ajudaram a Vai-Vai a conquistar sete de seus 15 títulos no Carnaval paulistano, dá a receita.
 
"O refrão principal tem que ser 'valente', muito bom de cabeça. A primeira parte tem que ser pegada, não pode cair muito. O refrão do meio é 'chicletinho', aquele que fica na sua cabeça o Carnaval inteiro. A segunda é aquela melodia gostosa pro descanso da escola, para aí explodir de novo no refrão principal", explicou Zé Carlinhos. "Se você conseguir fazer isso aí, não tem jeito de errar", completou o compositor.

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