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Marcelo Messina/Liga SP

Presidente que põe a mão na massa

Camilo Augusto Neto dirige Amizade Zona Leste e trabalha na construção do Carnaval como qualquer outro componente da escola

13/12/2017 Redação Liga SP - Foto: Marcelo Messina/Liga SP
Amizade Zona Leste é uma escola de samba do Grupo de Acesso 2 do Carnaval de São Paulo. Ao contrário da estrutura das agremiações do Grupo Especial, as condições de trabalho na terceira divisão são mais humildes. E é aí que faz a diferença ter um presidente que, literalmente, põe a mão na massa.
 
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Camilo Augusto Neto está à frente do Amizade desde 2009. Advogado por formação e torneiro mecânico por hobby, é ele o responsável por toda a parte estrutural das alegorias que a escola produz para os desfiles.
 
"Na adolescência, fiz vários cursos para a parte mecânica e passei a atuar como ferramenteiro profissional. Sempre quis ser advogado e ingressei na faculdade de Direito, mas essa parte mecânica é um conhecimento que adquiri. Eu passei a sentir falta do trabalho braçal e joguei ele todo na escola de samba", falou Camilo, cujo dom contribui, inclusive, financeiramente para a agremiação.
 
"As partes de serralheria e construção mecânica eu usei para ajudar a escola financeiramente e não ter que contratar profissionais, mas também para meu lazer. Toda a parte de construção visual da escola eu sou o responsável e nossa equipe de barracão, cada um com seu talento, faz a parte de espuma, forração, essas coisas", completou o dirigente, que conta com equipe de dez pessoas.
 
Desde que passou a competir contra outras escolas no Carnaval paulistano, o Amizade conseguiu três rápidos acessos, saindo da sexta divisão em 2011 para a terceira, o atual Grupo de Acesso 2, em 2014 - e onde está atualmente.
 
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Curiosamente, essa história só se tornou realidade após uma fatalidade. Paulão, antigo presidente e um dos fundadores do Amizade, sofreu um AVC na própria quadra da agremiação e não resistiu. Camilo assumiu a liderança na sequência e o bloco carnavalesco virou escola de samba.
 
"A gente foi bloco até 2008 e sempre houve um sonho de migrar para escola de samba. Entendemos que poderíamos crescer mais. Bloco é maravilhoso, mas tem um limite e o Paulão sempre teve um pouco de resistência. Lamentavelmente, ele teve um AVC dentro da própria quadra e a gente assumiu a agremiação. Aí, conversando com todo mundo, imediatamente migramos de bloco para escola", contou Camilo.
 
E o que foi responsável pelo rápido acesso? Na visão do presidente, humildade e reconhecimento ao bom trabalho das pessoas da comunidade.
"Nosso primeiro diferencial foi a valorização das pessoas. Nosso lema sempre foi 'uma escola de samba feliz', tem que desfilar feliz. A gente cuidou muito das pessoas e a partir daí, obviamente, é trabalho. Com bastante antecedência, cuidar de todos os setores da mesma forma, com o mesmo carinho", falou Camilo.
 
"Costumo dizer que o câncer mata o corpo e a vaidade mata a escola de samba. Sou totalmente avesso à vaidade, eu nunca usei uma camisa escrito 'presidente'. Sempre fui o primeiro a colocar a mão na massa e esse meu jeito de ser fez com que os vários líderes que temos na escola caminhem ao meu lado. Eu vou sair da presidência e isso não vai mudar nada. Porque em oito anos eu me considerei componente da escola e vou continuar me considerando componente com outra pessoa à frente", afirmou o dirigente.
 
No Carnaval 2018, a Amizade Zona Leste irá levar para o Sambódromo do Anhembi o enredo "A Chave". A agremiação será a quinta a desfilar na noite de 12 de fevereiro.

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