3 9 ,

DIAS PARA O CARNAVAL!

LIGASP

Rodrigo Meiners assina seu primeiro Carnaval em São Paulo

Com apenas 23 anos o carioca terá a responsabilidade de defender as cores da Mocidade Unida da Mooca

10/12/2018 Redação Liga SP - Foto: LIGASP

Apaixonado pelo Carnaval desde os seus primeiros anos de vida, Rodrigo Meiners é natural de Niterói, Rio de Janeiro, morando em São Paulo a pouco mais de quatro meses o frequentador assíduo da Marques de Sapucaí ao lado de seu irmão, já se sente em casa. Filho de diretores da velha guarda da Estação Primeira de Mangueira, o artista começou a acompanhar a passarela do samba com pouco mais de três anos de idade.

Com 10 anos, em 2005, foi a vez de Rodrigo conhecer as maravilhas do Carnaval Paulista, e acredite, foi de uma forma bem inusitada. “Eu fui ao supermercado com meus pais e vi o CD do Carnaval de São Paulo na prateleira, eu e meu irmão decidimos comprar, ouvimos tanto os sambas no pré-Carnaval que decoramos todas as letras e isso criou uma certa expectativa para assistirmos os desfiles, foi o que fizemos, não perdemos um lance nem na sexta e nem no sábado, vimos tudo pela TV, e isso ficou na minha memória afetiva”, afirmou.

Nessa mesma época, meados de 2007, Rodrigo entrou para um projeto da LIESV (Liga Independente das Escolas de Samba Virtuais), que até hoje existe e visa valorizar todos os aspectos da arte carnavalesca. “Esse projeto foi uma brincadeira, eu não sabia muito bem o que eu ia fazer, se eu ia cantar, escrever, desenhar, enfim, não tinha ideia de qual seria o meu real talento, mas aos poucos eu fui descobrindo. “Por lá eu aprendi que poderia montar um projeto de uma escola de samba de verdade. Tive conhecimento de como seria desenhar uma alegoria, uma fantasia, as principais noções de como seria a gravação do samba enredo em estúdio, os macetes de escrever a sinopse do enredo, como se prepara a pasta para o jurado, enfim, pela LIESV eu tive a certeza de que esse seria o meu dom. Até porque, tudo que eu havia planejado estava ali, desfilando na tela do computador, e sendo avaliado por jurados do Carnaval real”, relembra como tudo começou.

Essa “brincadeira” lhe rendeu muitos elogios, e em 2011, muitos jurados do Carnaval Virtual encorajaram o artista a criar um portfólio e apresentar em algumas escolas. “Os primeiros profissionais que viram os meus desenhos foi o Severo Luzardo, que hoje está na Ilha do Governador e o Max Lopes, que na época estava na Imperatriz Leopoldinense. Os dois me deram uma oportunidade de tirar o Carnaval virtual da tela do computador e transforma-lo em real, eu tinha 14 anos, e essa foi o meu primeiro contato com um barracão de escola de samba, foi a oportunidade de aprender e ver como funcionava o Carnaval fora da tela do computador”, aponta.

Feliz com o espaço que se abria, Rodrigo auxiliou o Carnavalesco Severo Luzardo por sete anos e teve passagens por escolas consagradas do Rio de Janeiro como Império da Tijuca, Acadêmicos do Cubango, Império Serrano, Paraíso do Tuiuti e União da Ilha, e assim como todo profissional que deseja crescer, Rodrigo acho que poderia sim trabalhar aqui em São Paulo, assim como tantos outros profissionais que migraram para a capital paulista. “Eu sinto que aqui em São Paulo os acordos profissionais são mais claros, e a grandiosidade do Carnaval está na mesma proporção que a do Rio de Janeiro. Percebi que as pessoas saem do Rio para ganhar a vida aqui, o contrário raramente acontece, justamente pela condição das escolas e do governo carioca. A visibilidade do Carnaval de São Paulo hoje é assustadora, a organização, o cronograma, o planejamento”, complementa.

O primeiro trabalho que Rodrigo Meiners desenvolveu na capital paulista foi na Império de Casa Verde, sob a supervisão do então Carnavalesco Leonardo Catta Preta, em 2015, quando realizou com sucesso o desenho de algumas fantasias. “Nesse período em vim pra São Paulo poucas vezes, acho que no máximo três, eu vinha pra cá entendia o projeto, desenhava da minha casa e depois voltava só para entregar. Em 2016, eu auxiliei em alguns trabalhos o Carnavalesco Sidnei França, na Mocidade Alegre e 2017, o André Marins, no Vai-Vai, o que me rendeu mais trabalhos com eles na Tom Maior com o André e a Gaviões com o Sidnei França, ambos em 2018”, recorda.

Tendo que se adaptar com a nova realidade, Rodrigo sente o peso da responsabilidade ao ter que gerenciar todo o barracão. “A única grande diferença é ter que lidar como as pessoas e as situações, hoje faço isso diretamente. Em anos anteriores quando eu era assistente eu entregava os projetos e não tinha mais tantas responsabilidades. Hoje eu tenho que dialogar com os profissionais, explicar como eu quero a fantasia, a alegoria, enfim, todo o projeto”, comenta.

Agradecido ao presidente Rafael Falanga por acreditar no seu talento o Carnavalesco reitera a importância em chegar em uma escola cheia de motivação e com desejo de crescer e fazer história como a MUM. “Temos um time muito jovem, o presidente tem só 33 anos, o mestre de bateria, os diretores de Carnaval, ou seja, é uma equipe nova, a escola é uma grata surpresa. Estamos literalmente aprendendo juntos, errando, acertando, correndo atrás, todas as experiências são vividas no dia-a-dia, não temos muitas bases”, confessa.

Seguindo as diretrizes do Presidente da MUM, o Carnavalesco Rodrigo Meiners reforça que o enredo tem várias estradas a seguir, mais a principal delas e não deixar a história do samba paulista morrer, preservar o saudosismo e trazer para o público como tudo começou. “O nosso enredo em 2019 é a história do pavilhão de uma escola de samba, desde o começo quando ele foi inspirado até os dias de hoje. Dentro do nosso desfile vamos trazer muitos elementos visuais que remetem a Carnavais passados. Então, baliza, pandeirista, corso, enfim, irá mexer com a memória do samba do Carnaval de São Paulo. Queremos que o desfile na Mooca se torne uma grande homenagem, muitos baluartes serão convidados a participar do nosso desfile”, reafirmou.

Sem pensar muito no resultado que esse novo desafio lhe trará, o artista pensa em apenas emocionar a passarela do samba, afinal, trará muitas pessoas que fizeram e ainda fazem parte da história do Carnaval de São Paulo. “Seu Nenê, Eduardo Basílio, Juarez da Cruz, enfim, tantas e tantas pessoas que suas histórias de vida se confundem com a do Carnaval paulista, todas essas personalidades estarão representadas no desfile da MUM. Meu principal objetivo e a minha maior responsabilidade e transmitir a emoção que essas pessoas já nos fizeram tantas vezes passar”, pontua.

Como desde cedo a vida de Rodrigo foi verossímil e rápida ele mesmo não consegue planejar a curto prazo o que pode acontecer, apenas acredita que ainda tem um caminho muito longo a percorrer. “Eu parei de planejar, depois desse convite inesperado da MUM, que me tornou Carnavalesco tão jovem, eu confesso que agora prefiro deixar que as coisas aconteçam naturalmente. Eu imaginei que em 2019 seguiria desenhando para os meus amigos André Marins e Sidnei França, e olha onde eu estou, assinando um Carnaval sozinho”, se emociona.

Quando o assunto é família, o Carnavalesco, reconhece que sem o apoio dos pais e dos irmãos nada seria possível. Hoje morando em São Paulo Rodrigo confessa que existem momentos em que a ausência doí. “Eles entendem que essa mudança brusca aconteceu justamente por que estou correndo atrás do meu sonho. Claro que tenho saudade de todo mundo, tenho muita vontade de chegar em casa e contar como foi o meu dia, o que eu aprendi, a realidade do novo que estou vivendo; mas quando abro a porta não tem ninguém. É triste, mas estamos cientes de que essa nova realidade é necessária. Só a gente sabe o quanto eu gostava de tirar foto em cima de carro alegórico, chegar cedo na Sapucaí para ver a saída das alegorias para o desfile, enfim, eu estou buscando a carreira que eu escolhi seguir”, reitera.

Sempre zelando pelo clima familiar e de muita amizade dentro do barracão, o Carnavalesco confessa que essa é a receita que o tem feito amenizar a saudade de casa dentro da MUM. “Me sinto no ambiente ideal de trabalho, hoje a Mocidade Unida da Mooca é a minha família. Minha vida tem sido de casa para o barracão e do barracão para casa. Confesso que vim pra São Paulo sem conhecer ninguém da MUM, e hoje me sinto acarinhado por todos, eles me abraçaram como uma família, e sem dúvida são responsáveis por suprir essa saudade que sinto de casa. Estamos engajados em um único objetivo, entregar um projeto impecável no dia 03 de março”, festeja.

Ainda incerto se a profissão de Carnavalesco vai dar certo, Rodrigo não tem medo dos resultados e muito menos em sair dos holofotes se tudo der errado. “Eu acho que faz parte do jogo, se futuramente eu tiver que dar um passo para trás e mais para frente dar dois em direção ao futuro eu não me importo. Sabemos de tantos Carnavalescos consagrados que infelizmente não integram mais a festa por diversos motivos, por que eu ficaria triste se as coisas não acontecessem pra mim nesse primeiro momento? Pelo contrário, tenho que levantar a cabeça e seguir, o que eu não quero e sair do Carnaval, seja aqui em São Paulo ou no Rio de Janeiro”, finaliza!