Primeira da Cidade Líder - Raio X dos Carnavalescos

Stefano Mello e Primeira da Cidade Líder – Dupla estreia no Sambódromo

Carnavalesco desenvolve seu primeiro enredo no Anhembi e agremiação também pisa pela primeira vez na passarela no samba

13/02/2019 Redação Liga SP - Foto: Primeira da Cidade Líder - Raio X dos Carnavalescos

Quando falamos em emoção, frio na barriga e até mesmo em insegurança; logo pensamos em algo novo, uma experiência jamais vivida, aquele momento que pode nos surpreender. E é isso que está acontecendo na vida de Stefano Melo, folião a mais de 25 anos e que com o passar do tempo entrou de cabeça no mundo do Carnaval.

Leonino, caçula de seis filhos, morador da zona leste, 44 anos de vida e componente durante mais de 20 anos da Nenê de Vila Matilde, o artista começou a se interessar por arte muito cedo e autodidata jamais pensou em ter outra profissão. “Sempre gostei de arte, ainda na avenida Tiradentes minha mãe levou todos os filhos para conhecer um pouco dessa magia e naquele momento tive a certeza que aquele seria o meu ganha pão, mesmo que de forma torta... risos”, comentou em meio uma gargalhada.

Técnico em farmácia e tecnólogo em radiologia por formação, o Stefano sempre conciliou sua profissão de formação com a paixão pelo Carnaval. “Desde os 19 anos eu me encantei, para não ter muitos gastos a forma que encontrei foi de eu mesmo confeccionar as minhas fantasias, e com o passar dos anos isso foi se aprimorando, ou seja, além da minha comecei a fazer de outros integrantes da escola, na época a Nenê de Vila Matilde, isso foi me dando projeção e o desejo de viver apenas de arte crescendo”, reafirma.

A jovem Primeira da Cidade Líder, entrou em sua vida a pouco mais de três anos, conquistando um espaço que jamais Stefano poderia imaginar. “Com a brincadeira do dos irmãos Minueto eu me envolvi com a Primeira da Líder, em 2017, ainda na UESP 3 e a escola foi vice-campeã, o que nos deu o direito de subir de grupo. Em 2018, mais uma vez tivemos êxito no trabalho, a escola conquistou o campeonato pela Uesp 2, com o enredo “O Milagre do Sertão ” o que nos dando a chance de subir mais um degrau, agora para o Grupo de Acesso 2, e acredite estamos trabalhando muito nesse momento para fazer bonito”, afirmou o artista.

Com a ansiedade presente em cada segundo o Carnavalesco diz que ainda está aprendendo a lidar com essa mistura de sentimentos ao lado da comunidade da Primeira da Cidade Líder. “Nossa expectativa é muito grande, vamos brigar pelo título e a escola toda está muito confiante. De ponta a ponta temos uma junção muito boa, tanto da comunidade como da nossa diretoria e vice-versa, todos estão muito presentes e acreditando demais no projeto”, argumenta.

A coragem para abandonar de vez a área da saúde e viver simplesmente de arte veio a quatro anos, quando Stefano abriu o seu próprio atelier e assumiu outros trabalhos além do barracão de uma escola de samba. “Sonhava com esse atelier a mais de 10 anos. Hoje o meu espaço me sustenta com outros seguimentos fora do Carnaval, além das tradicionais fantasias eu também faço paramentas, e o mais interessante é que atendo pessoas do Brasil todo”, se alegra.

Perfeccionista consigo mesmo e otimista com a vida, Stefano e preciso ao afirmar que se cobra demais. “Eu chego a ser chato nesse aspecto. Vejo realmente como um defeito e uma qualidade, a necessidade de fazer tudo certinho faz com que eu tenha um lado bom e um lado ruim. Muitas pessoas não são assim, e acabam por vezes nos julgando e não entendendo esse nosso lado. Outra característica é que sou muito otimista, eu confio e acredito até o fim”, reitera.

Desenvolvendo ao lado Robson Silva o enredo “Sou brasileiro. Vou festejar!”, o segundo dentro do barracão da Primeira da Cidade Líder, o Carnavalesco descreve o que os expectadores irão apreciar na passarela do samba com esse desfile. “O nosso enredo irá abordar as festas populares, desde 1500, quando Cabral chega no Brasil e se encanta com a festa dos índios, até os dias de hoje. A grande surpresa para o público será o encontro dos colonizadores com os índios, o que iremos ver logo na primeira alegoria. Vai emocionar muita gente, principalmente a mim, que pela primeira vez estarei assinando um Carnaval no Anhembi”, complementa.

Eleito o apaziguador da escola e na vida pessoal, Stefano Mello gosta de usar sempre a palavra “sabedoria” em seu dia-a-dia. “Só com a sabedoria vamos saber lidar com cada pessoa e com cada dificuldade que a escola enfrentar nos próximos passos que serão dados. “Tanto em casa quanto aqui no barracão, quando percebo uma pessoa mais alterada, ou até mesmo em dúvida por qual caminho seguir. eu sempre peço sabedoria na escolha e na decisão”, justifica.

Caso a escola conquiste uma boa colocação ou chegue ao campeonato no Grupo de Acesso 2, Stefano tenta descrever em palavras o sentimento que pode resumir esse momento. “Nessa hora do resultado eu acho que o arrepio já atinge o corpo todo, é um momento muito forte para a escola, claro que queremos o título, mas se ficarmos entre as cinco escolas... será nossa maior vitória. Estou envolvido de corpo e alma com essa agremiação, a três anos essa é a minha casa”, nesse momento as lagrimas já escorrem de emoção e o artista se emociona.

Dentre as confidencias, Stefano brinca que o Anhembi é sua segunda casa e que seu Nenê foi seu grande mestre no Carnaval. “Eu gosto de afirmar duas coisas, se não fosse o Seu Nenê, talvez eu não seria quem eu sou hoje. E anotem, quando eu morrer quero ser cremado, e as cinzas jogadas no Anhembi, é sério, lá é minha segunda casa”, justifica.

Nesse bate-papo exclusivo com a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, Stefano Melo relembra que hoje o seu maior sonho é ver a Primeira da Cidade Líder permanecendo no Grupo 2, e por que não, conquistando o título. Nessa hora, o artista relembra que quem mais o incentiva nessa busca além da diretoria da escola, é sua família. “Eu acho que o título consagraria todo nosso trabalho. Meus pais não são sambistas, mas se tornaram meus fãs, confiam e incentivam cada sonho meu, esse é o meu maior e melhor combustível”, finaliza.