Felipe Araújo

Tradição Albertinense lança concurso de samba-enredo para 2020

Agremiação premiará as três parcerias finalistas, além de uma bonificação para a vencedora

29/08/2019 Redação Liga SP - Foto: Felipe Araújo

Atenção, compositores! A Tradição Albertinense abriu inscrições para o concurso de samba-enredo 2020. Os interessados em participar devem entregar até o dia 25 de setembro uma gravação simples, com cavaco, voz e violão, e a letra do samba. 

A escola optou por não fazer eliminatórias, mas celebrará a escolha do samba num evento com os três finalistas, previsto para acontecer no dia 6 de outubro. As três parcerias classificadas serão premiadas e os compositores do samba vencedor receberão uma bonificação.

As regras da disputa e outras informações estão disponíveis nas redes sociais da agremiação. Em 2020, a Tradição Albertinense desfilará pelo grupo de Acesso II, com o enredo “Toda Família Tem Tradição”, desenvolvido pelos carnavalescos Marco Aranha e Marcyo de Oliveira. Leia a sinopse:

TODA FAMÍLIA TEM TRADIÇÃO

O chacoalhar da Kombi quase lotada com a família fez as duas crianças se aproximarem da vovó, que segurava o velho álbum de fotos. Um deles pergunta:
— O que é isso, vovó?

De pronto, ela passando a mão de forma carinhosa sobre a capa do álbum de fotos, diz:
— São fotos que contam a história da nossa família.
Papai, que dirigia sem tirar os olhos da pista a frente, diz: 
— Esconde a minha de bebê pelado! 

Ao seu lado, mamãe, com o bebê, apenas olha e sorri. Tio e tia, segurando a maionese e o bolo, não veem que a filha no banco de trás trocava beijinhos com o namorado. A seu lado, tia Cotinha, segurando sua bóia, se vira para trás e fala: 
— Se segura aí, Peludo, lá vem uma boa história.

O cachorro, que a tudo observava, está tranquilo e seguro de sua família. Vovó continua:
— Tudo começa quando o espírito da paixão, com suas flechas, une casais que, assim como pombinhos, se enamoram e tudo começa. Mas, vocês sabiam que mesmo na época das cavernas já existiam famílias?

Uma das crianças a seu lado imagina a seu modo a pré-história, como nos desenhos animados. 
— O tempo passou e a família só mudou os jeitos e maneiras, mas se manteve unida pelas eras. Como muitas famílias no Brasil, a nossa teve parte de sua origem vinda da mãe África e da Europa. Na história do nosso país, a mais famosa das famílias aqui chegou com a pompa e realeza próprias da família real, que aportou trazendo nobreza e as marcas da falta de banho com cabeças cheias de piolhos e roupas encardidas, esfarrapadas, de meses de viagem. 

Uma das crianças, olhando de perto o álbum, diz:
— Quantas fotos! 

A tia, sem descuidar da maionese, fala:
— Este álbum está cheio de lembranças e muitas fotos de outras famílias amigas da nossa.

Ainda com os olhos sobre as fotos, o pequeno diz:
— Esse cachorrinho aqui é o Peludo?

Como se estivesse entendendo, o cachorro, sentado atrás, solta um latido. Vovó diz:
— Vocês sabiam que o Peludo antes de ser da nossa família, teve outra, com um morador de rua, que muito o amou? Mas logo ele se tornou parte da nossa família. 

O outro irmãozinho, olhando outra foto, diz:
— Que gente diferente essa aqui! 

Tia Cotinha, atenta a tudo com seu jeito irreverente, diz:
— São grandes amigos da nossa família, extrovertidos e alegres. Incompreendidos em muitas famílias, mas a sociedade está começando a entender e aceitar as diferenças. 

Vovó volta a falar:
— Entenda, independente de tempo e lugar, sempre existiram famílias que de longe podem parecer diferentes, até estranhas, mas de perto são todas unidas pelo amor.

Ao ouvir isso, o netinho, de novo, lembra de um desenha animado, desta vez, a Família Addams. 

— Conviver juntos sob o mesmo teto tem momentos que só em família se entende. Lembra do domingo retrasado? Todos sentados à mesa e, de repente, uma confusão danada! Mas Maria, nossa empregada, que é como da família, com seu jeito nos fez esquecer tudo, e logo a paz voltou a reinar. Em casa de família é assim: briga pelo controle remoto, o assado que queima na cozinha, e o dia do banho do cachorro acaba envolvendo a casa toda.

Uma das crianças aponta uma foto e fala:
— Quantos gatos nesta aqui! 

Vovó diz:
— Essa é sua outra tia, a solteirona. Tem gente que prefere bicho do que gente como família. 

Tia Cotinha retruca:
— Eu sei o gato que ela gosta! 

Virando uma página do álbum, várias fotos trazem lembranças de dia das mães, natal e, claro, os aniversários. E mesmo que em momentos não tão agradáveis, como tratar de herança, a família se mantém unida, decidindo com quem fica os tesouros ou dívidas de quem já se foi.  Papai, que dirigia, avisa: 
— Estamos chegando! 

Lembranças de muitos carnavais em família vêm à mente de todos. A Kombi para frente a quadra da escola da família. Todos são recebidos em uma grande festa, onde as cores de outras escolas de samba de família saúdam o bebê, que é acolhido na grande família do samba, na melhor tradição do carnaval.