Leo Franco

Vanessa Dias integrou o 2° encontro do projeto “Pessoa com Deficiência em Ação”

A diretora do projeto social “Samba Se Aprende na Escola” e da Ala Inclusiva, da Rosas de Ouro, debateu a inclusão no Carnaval

05/04/2019 Redação Liga SP - Foto: Leo Franco

Há menos de um mês do final do Carnaval, alguns departamentos das agremiações não pararam e já estão trabalhando para o projeto 2020. Esse é o caso da psicóloga Vanessa Dias, diretora do projeto social “Samba Se Aprende na Escola” e coordenadora da Ala Inclusiva da Roseira. Na semana passada, Vanessa foi uma das convidadas do 2° Encontro do Projeto “Pessoa com Deficiência em Ação” para discutir as diferentes formas de inclusão nas escolas de samba e nos blocos de rua. Além da Vanessa, participaram também Pedro Anacleto, idealizador do bloco “Tomo Junto” e Marciel Alves da Silva, produtor do projeto "Samba com as Mãos" sob a coordenação do médico André Sugawara, fisiatra. A presidente do Conselho Diretor do Imrea e idealizadora da Rede Lucy Montoro, Linamara Rizzo Battistella, também esteve presente no evento.

“Um debate rico e cheio de grandes e boas ideias que vamos implantar nos próximos meses na Rosas de Ouro. Já havíamos identificado algumas ações que poderiam facilitar a participação e incentivar a presença dos componentes com deficiência em mais atividades da escola e na própria ala”, comenta Vanessa que encabeça o trabalho há 11 anos e contou com 150 pessoas no desfile “Viva Hayastan!”, desenvolvido pelo carnavalesco André Machado, que conquistou o 3° lugar no grupo Especial da Ligas das Escolas de Samba de SP. O evento durou cerca de 3 horas.

Em mais de uma década trabalhando em prol da inclusão no Carnaval, Vanessa Dias acumulou vasta experiência e hoje detém know how no assunto como gestora e, durante todo debate, ressaltou a importância da união dos órgãos competentes como governo, prefeitura, ONG´s e institutos para apoiar e endossar a participação das pessoas com deficiência nas quadras das escolas de samba e blocos de rua em geral.

Para colocar a Ala Inclusiva na avenida, Vanessa inicia o processo de concentração 8 horas antes do momento do desfile e conta com uma sala de apoio para reunir os componentes e seus acompanhantes e também oferecer um jantar. A sala fica no Hotel Holliday Inn e, de lá, a diretora e apoios já saem com o grupo direto para a concentração. Além disso, a equipe do projeto social da Rosas também conta com o espaço da Adesp (Associação dos Destaques das escolas de Samba do Estado de São Paulo), que recebe integrantes da ala para preparação, maquiagem, troca de roupa e até massagem antes do desfile. Toda essa preparação é só para o desfile oficial, porém, Vanessa e a equipe do projeto social, diretores de harmonia e bateria também realizam 16 ensaios específicos de canto e evolução aos domingos pela manhã na quadra social da Rosas de Ouro, com café da manhã para todos os participantes e acompanhantes. Para a participação dos componentes nos técnicos, há também o ponto de apoio no hotel e as vans do projeto Atende da prefeitura colaboram levando os componentes que não possuem veículo próprio.

“É muito gratificante poder dividir toda essa expertise que a Rosas de Ouro conquistou com esses anos de trabalho de inclusão. Tudo é conquistado com muito trabalho e dedicação e me orgulho em dizer que quando passamos somos uma das alas que mais canta e conseguimos emocionar na avenida pela superação”, diz a psicóloga. Nesse ano, Vanessa, que vem a frente da ala portando o estandarte do projeto social, representou um pássaro armênio e a ala veio fantasiada de “Alfabeto Armênio”.

História na Rosas de Ouro

Vanessa Dias de Oliveira é psicóloga e há 40 anos é integrante da escola de samba Sociedade Rosas de Ouro, sendo a 3° geração da família Oliveira atuante no samba. É filha de Raquel Custódio, madrinha da Ala das Baianas, neta da “Madrinha”, que atuou a vida toda na Rosas de Ouro na Ala das Baianas. Na escola, Vanessa já atuou na Ala das Crianças; como destaque de chão; apresentadora de casal de mestre-sala e porta-bandeira; coordenadora e componente da comissão de frente; destaque de alegoria; chefe de ala. Hoje é porta-estandarte da Ala Inclusiva, está há 16 anos a frente do Projeto Social da Rosas de Ouro “Samba Se Aprende na Escola” e há 11 anos lidera Ala Inclusiva, que esse ano completou 11 anos na Avenida, sendo a maior ala inclusiva do carnaval de São Paulo com 150 integrantes com membros do grupo Terra, das instituições AACD e Apae e o do projeto “Samba em Libras”, da prefeitura de São Paulo.