8 , 6

DIAS PARA O CARNAVAL!

nene de vila matilde - carnavalescos

Willian Pereira e Felipe Diniz juntos assinando o primeiro Carnaval

Determinados em trazer a Nenê de Vila Matilde para a elite do Carnaval Paulistano os artistas não escondem a ansiedade e a emoção desse projeto

22/01/2019 Redação Liga SP - Foto: nene de vila matilde - carnavalescos

Jovens e precisos em seus passos, assim podemos começar a definição quem são os artistas Willian Pereira, de apenas 23 anos e natural de São Paulo e Felipe Diniz, de 33 anos, natural de Belo Horizonte, atuais Carnavalescos da Nenê de Vila Matilde.

Willian, começou como admirador do Carnaval em 2013, na Sociedade Rosas de Ouro integrando uma ala, na sequência o grupo de dança e posteriormente chefe de ala, o que começou a despertar uma aptidão pelas artes. “E montei um mini atelier, e comecei a confeccionar algumas fantasias, fiz trabalhos para a Estrela do Terceiro Milênio e para a Acadêmicos do Tucuruvi, onde conheci o Flávio Campello, Carnavalesco da agremiação na época, que inclusive foi quem me indicou para a Nenê, me apoiou e até hoje segue sendo uma grande fonte de inspiração na minha vida”, comenta.

Com dez anos dedicados ao Carnaval, Felipe também foi descoberto por Flávio Campello, hoje, Carnavalesco da Império de Casa Verde, ao seu lado teve a oportunidade de desenvolver projetos muito especiais aqui em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Brasília e em sua cidade natal, Belo Horizonte. “Minha parceria com o Flávio Campelo da samba até hoje, temos uma afinidade muito grande. Começamos na escola da minha cidade, Canto da Alvorada, aliás que estamos trabalhando até hoje e somos os atuais campeões. Aqui em São Paulo fui enredista nos trabalhos em que ele realizou pela X9 Paulistana, pela Acadêmicos do Tatuapé e pela Acadêmicos do Tucuruvi. Outro amigo que me deu muitas oportunidades é o Fernando Dias, trabalhamos juntos na Torcida Jovem e na Imperador do Ipiranga”, relembra.

Autodidata, Will, como é carinhosamente chamado no barracão gosta de colocar a mão na massa e fazer um pouco de tudo. “Eu sou apaixonado pelo Carnaval, então tudo que é de Carnaval eu me interesso, leio, pesquiso e estou sempre disposto a aprender. Eu faço forração, empastelamento, adereço, desenho, esculpo, enfim, tudo. Meu sonho é ser reconhecido pelo meu trabalho e chegar ao nível de profissionais como Jorge Freitas e Flávio Campello”, explica.

Formando em Turismo, Felipe Diniz garante que nunca engavetou o seu diploma, ele alia o seu bacharelado com o mundo do samba. “Eu sempre uno as minhas pesquisas de turismo com as pesquisas sobre os enredos. Gosto de ler os livros e me aprofundar nos assuntos, sempre puxando a essência da história para o meu trabalho dentro da pesquisa do enredo, raramente eu abro um computador para pesquisar um projeto, reitera.

Ainda falando sobre os seus trabalhos anteriores, Felipe explica melhor o que realmente é ser um enredista. “Algumas pessoas ainda me questionam realmente qual o meu trabalho nesse apoio ao Carnavalesco e eu defino como um pesquisador do projeto. O Carnavalesco apresenta o enredo e depois dessa etapa eu escrevo e pesquiso sobre o assunto. Esse processo de pesquisa leva no mínimo 1 mês e tem que ser minucioso”, relata.

Cientes da responsabilidade de contar a história de duas grandes agremiações como a Nenê de Vila Matilde e a Portela, ambos afirmam que se sentem-se seguros e preparados. “Eu estou tão honrado com esse desafio que as vezes acho que minha ficha ainda não caiu. Eu um menino de Belo Horizonte que via toda essa magia como um mundo tão distante, dá um frio na barriga, mas ao mesmo tempo uma gana de emocionar e contar essa história, que fica difícil explicar em palavras. Mas acredite, não estamos medindo esforços para fazer bonito no Anhembi”, afirma Felipe.

Para Willian, a sensação não é diferente. “O peso que a Nenê de Vila Matilde tem é indescritível, são 11 títulos, foi a primeira escola a desfilar na Marques de Sapucaí, a primeira agremiação de São Paulo a ter uma quadra coberta, enfim, e a Portela também, a escola tem 22 títulos no Grupo Especial do Carnaval Carioca, são tantas histórias que o coração chega dispara, realmente serão muitas emoções”, conclui.

Intitulado “A majestade do samba chegou! Corri pra ver... pra ver quem era. Chegando lá, era a Nenê e a Portela”, cada Carnavalesco define a sua maneira o que os espectadores irão ver na passarela do samba. “Nosso enredo será lúdico, e nele todo irão ver o encontro do Seu Nenê com Paulo da Portela, ou seja, os dois fundadores dessas duas grandes escolas nos apresentarão todos os momentos históricos que elas passaram, Nenê com 70 anos de vida e Portela com 95, prepare o lencinho que será muita emoção, queremos ganhar na emoção”, comenta Felipe.

Também com as emoções afloradas, Will, relata que ambas as escolas, tem uma biografia muito vasta, e que juntando tudo, são exatos 165 anos, imagina. “Falar de Nenê e de Portela não é brincadeira não, são duas águias guerreiras e que juntas tem muita tradição. Uma é da Zona Leste e a outra de Madureira, ambas, tem as mesmas cores, azul e branco, a Portela é madrinha da Nenê, ou seja, é um casamento perfeito”, reafirma.

Para finalizar esse bate papo exclusivo com a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, o Carnavalesco caçula do Carnaval de São Paulo, define a insegurança que em alguns momentos aparece, mas que a sua vontade de vencer supera. “Para mim é tudo novidade, eu não tenho vergonha e nem medo de perguntar, estudar, de me interessar, só assim posso crescer e me aperfeiçoar. Eu não posso errar, o meu objetivo é trazer a escola de volta para o grupo especial, dar esse presente de 70 anos para essa comunidade guerreira e tão apaixonada por essa tradicional escola. Confiem, o título virá para a Vila Matilde”, se emociona!