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X-9 Paulistana: Darlan Alves lembra infância e choro ao vir para São Paulo

No Carnaval 2018, X-9 Paulistana levará ao Anhembi o enredo " A voz do samba é a voz de Deus. Depois da tempestade vem a bonança"

31/10/2017 Redação Liga SP - Foto: imagem-padrao

"Meu nome é Darlan Alves, sou de Brasília, tenho 45 anos, sou casado e pai de três filhos". Foi assim que o intérprete da X-9 Paulistana, atual campeã do Grupo de Acesso do Carnaval de São Paulo, começou a conversa com o site da Liga SP. Com um título também do Grupo Especial com a Rosas de Ouro na bagagem, a história poderia ser bem diferente se não fosse um conselho de sua avó, que foi quem fez o então garoto de 14 anos tentar a sorte na capital paulista em 1988.

Darlan nasceu no Distrito Federal, mas passou a maior parte de sua infância em Teresina, no Piauí. De origem humilde, viu sua mãe levar os irmãos mais velhos para São Paulo "em busca do 'Eldorado'", como ele mesmo diz. Como não havia dinheiro suficiente para todos irem, o hoje sambista permaneceu no Nordeste com sua avó. E foi através dela que a música entrou em sua vida.

"Para sobreviver, minha avó lavava roupas, era lavadeira de rio. Ia de manhã, me levava e deixava tomando banho lá no rio. E as lavadeiras cantavam. E aquilo ficava me marcando, eu ouvindo elas cantando. Minha primeira experiência com música foi isso e eu comecei a adorar aquilo", contou o cantor.

O caminho, no entanto, não foi fácil. Sair de perto da avó, a quem Darlan carinhosamente aprendeu a chamar de mãe, foi traumático. Ela o colocou, ainda menino, em um ônibus a caminho de São Paulo.

"Eu vim contra minha vontade. Mas minha mãe (avó) falou 'você tem que ir, aqui em Teresina você não vai conseguir nada. Você gosta de música e o mundo está lá pra você conquistar. Chorei acho que um ano inteiro. Vinha chorando no ônibus e tudo", revelou Darlan.

"Hoje eu já superei, mas quando falava disso eu chorava pra c***. Deixando minha mãe lá no portãozinho. Eu indo embora e ela no portão ficando pequena, sabe. Aquilo durante anos me matou", continuou o sambista.

Na capital paulista, Darlan logo se encontrou na Tom Maior. Seus familiares, que já estavam na cidade havia alguns anos, frequentavam a comunidade. Lá, se tornou ritmista e em 1998 passou a fazer parte do time de canto da escola, assim como da Águia de Ouro e, posteriormente, Pérola Negra.

De lá para cá, foi intérprete oficial também da Unidos de Vila Maria por um ano, da Rosas de Ouro por 12 - onde em 2010 foi campeão -, e irá para sua segunda temporada com a X-9, que voltará ao Grupo Especial em 2018. Além disso, como compositor, emplacou diversos sambas de enredo, entre eles o que será apresentado pela Mancha Verde em homenagem ao grupo Fundo de Quintal. Tudo possível graças ao incentivo da avó.

"Foi a melhor coisa, ela sabia o que estava falando. 'Vai pra São Paulo que lá você vai ter condições de ser alguém'", disse Darlan.

No Carnaval 2018, a X-9 Paulistana levará ao Anhembi o enredo " A voz do samba é a voz de Deus. Depois da tempestade vem a bonança". A escola será a primeira a se apresentar na segunda noite de folia no Sambódromo.

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