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Walter Rodrigues/Liga SP

Yemanja e Yemonjá? Carnavalesco da Nenê explica

Yemanjá branca? Yemonjá Negra? Carnavalesco da Nenê explica enredo da escola

07/01/2018 Redação Liga SP - Foto: Walter Rodrigues/Liga SP

O Carnaval SP 2018 terá a história de Yemanjá como destaque na avenida. Brigando para retornar ao Grupo Especial, a escola de samba Nenê de Vila Matilde levará o enredo "A Epopeia de uma Deusa Africana” prometendo fazer o encontro das histórias de Yemonjá, deusa africana, e Yemanjá, deusa brasileira, na passarela do samba.

Em entrevista à Liga SP, Lucas Pinto, carnavalesco idealizador do enredo, revelou que o tema é um estudo antropológico e conta a mistura de culturas de Brasil e África.

“Esse enredo eu tenho guardado porque faz parte de um grupo de enredos com temáticas africanas, mas não especificamente um enredo afro. Isso é um enredo antropológico. É um estudo onde eu provo que existe um orixá africado de cor negra, chamado Yemonjá, popularmente chamado no Brasil de Yemanjá, que vem ao Brasil com os escravos”, contou.

“Chegando aqui [no Brasil], esses africanos vão estar presos e escravizados com os índios brasileiros e vão trocar informações. Então, vai haver esse encontro dessa deusa, os negros vão falar de Yemonjá e os índios entendem que eles têm uma deusa muito parecida com essa deusa africana. Só que para os negros, Yemonjá é uma mulher muito grande, de seios muito grandes, porque é a mãe do mundo, e tem umas feições grotescas. Para os índios, ela é diferente. Yemanjá se chama Yara mãe d'água e é uma mulher formosa, com seios normais e é metade mulher e peixe”, acrescentou.

O encontro das culturas fez com que Yemonjá, segundo o carnavalesco, passasse a ser chamada de Yemanjá no Brasil. “Na Bahia, um pai de santo apaixonado pela sua mulher pede para que um artista a pinte. Então, a mulher desse pai de santo, nasceu, viveu, morreu no Brasil e foi retratada por esse pintor. É justamente essa Yemanjá que o povo brasileiro cultua. Não é aquela Yemonjá da África, é uma Yemanjá branca, de vestido azul bordado de rosa e cabelos pretos”, explicou.

“Essa é Yemanjá, Janaína, é uma deusa com vários nomes. Ela é cultuada no Brasil inteiro, especificamente na Bahia, no dia 2 de fevereiro, e em todo dia 31 de dezembro em toda orla marítima. Então, Yemanjá é uma representação dessa diáspora africana. Ela consegue chegar ao Brasil, se adequar a várias situações e ocupar um posto religioso, que todos sendo ou não da religião, entende que aquele quadro é de uma deusa que veio ao Brasil que era negra e ficou branca. Essa é a temática do enredo”, finalizou.

Confira o vídeo do Carnavalesco da Nenê de Vila Matilde explicando o enredo: